Song Dong nos convida a não desperdiçar no MoMA
O artista chinês Song Dong conjuntamente com sua mãe, está apresentando uma exibição interessantíssima no MoMA. Eu detesto essa palavra – interessante – pois é o tipo da palavra que não diz nada. Mas para esse caso, é realmente o que essa mostra é – interessante. Aliás, usei o superlativo: interessantíssima. O que mais dizer?
A mãe de Song, Zhao Xiangyuan, passou uma vida acumulando tudo que comprava ou ganhava, e não conseguia se desvincular desses objetos. Então o artista resolveu fazer um projeto em colaboração com Zhao, usando o conteúdo completo da casa onde guardou tudo por mais de cinqüenta anos. Essa obsessão de conservar tudo e de não jogar nada fora, está baseado no conceito chinês de yong qi jin wu, ou “desperdício não,” o que era uma forma de sobreviver na época da revolução chinesa. Os materiais montados variam de potes e bacias a cobertores, frascos de vidro, e bonecas sem pernas, formando como que uma paisagem urbana que observadores podem navegar à sua volta.
Nessa época que vivemos onde tudo é descartável, a idéia de passar uma vida acumulando coisas, é quase que incompreensível.
Song em seu trabalho que varia desde vídeos, filmes até esculturas, tenta explorar noções de transitoriedade e impermanência. A exposição foi colocada no 2º. andar do museu ocupando o grande espaço central que foi tão criticado na abertura do MoMA há vários anos atrás. Na realidade, o local selecionado foi uma excelente escolha para esse projeto. A leitura do projeto pode ser feita de forma linear e temos uma visão ampla de todos os objetos sob vários pontos de vista – desde o 6º. andar.




