Os Desenhos de Richard Serra

Esta primeira retrospectiva de desenhos do artista contemporâneo americano Richard Serra (nascido em 1939) apresenta uma visão global de cerca de quarenta anos de sua atividade em desenho.
Através de cerca de cinquenta desenhos, a exposição apresenta a evolução do desenho de Serra desde o início dos anos 1970, quando ele trabalhou principalmente no papel com meios mais tradicionais, como tinta, e carvão. Foi somente em meados de 1970 quando ele começou a usar o paintstick preto, um lápis composto de uma mistura de pigmentos, óleo e cera. Desde então Serra vem usando paintstick em suas várias formas, criando obras com muita textura espessa em que superfícies pretas, e muito grandes em escala, enfatizam o seu interesse no processo, peso e gravidade.
Ele traça o desenvolvimento do desenho como uma forma de arte independente mas intrinsicamente ligado à sua prática escultórica. Para Serra o desenho sempre desempenhou um papel crucial na investigação de novos conceitos e novos métodos criativos e um meio de exploração de relações formais e perceptivas entre a arte o espectador e o ambiente onde é colocado.
Black, ou o preto, no entendimento de Serra, não é uma cor, mas sim um material que tem peso e responde às leis da gravidade.
Surpreendentemente, esses desenhos majestosos em sua ampla escala e palpável textura parecem mais os buracos negros que vemos na série de televisão nos programas de Cosmos. Sua imensidão e quietude nos levam a reflexão de nossa condição humana e posicionamento no espaço. Não só no espaço da sala de exposição do museu, mas numa extensão de mundo.
Inicialmente, minha reação foi de “aqui vem Serra novamente com sua forma redutiva em duas dimensões… já não basta suas formas simplificadas em três dimensões?” Contrariamente a minha reação inicial, seus desenhos são muito mais belos do que suas esculturas trazendo uma profundidade que toca a alma.
Não perca. Até dia 28 de agosto.






