Mihrab no MET
Como a maioria da população paulistana, tenho descendência italiana por parte de meu pai. Pelo lado de minha mãe é uma mistura de brasileiros com árabes com uma boa pitada de índios! Esse lado árabe foi sempre mantido nas sombras durante minha infância e até hoje não tenho certeza se meu avô paterno veio da Síria, do Líbano ou de outro lugar no Oriente Médio. De qualquer forma, sinto uma atração muito forte a cultura do oriente médio – música, arte, arquitetura.
Para minha surpresa durante uma recente visita ao Metropolitan Museum of Art (MET) vi uma coleção enorme que foi recentemente aberta de obras árabes intitulada: New Galleries for the Art of the Arab Lands, Turkey, Iran, Central Asia, and Later South Asia (Novas Galerias para a Arte das Terras Árabes, Turquia, Irã, Ásia Central e Ásia do Sul).
Lindíssima essa exibição – vale à pena dar uma boa conferida nessa nova ala do museu. E uma das peças mais valiosa dessa exposição é um local sagrado onde preces são oferecidas, chamado Mihrab.
Uma breve explicação nessa construção: Mihrab é um nicho ornamental na parede de uma mesquita, que marca a direção da Cidade Santa de Meca. É essencial que ela seja feito na direção da cidade sagrada de Meca, onde Maomé teria recebido a revelação divina, e onde se encontra a Caaba, a construção sagrada do islamismo.
Mihrabs variam em tamanho e cor, mas são geralmente em forma de portal e decorados com azulejos e caligrafia para fazê-lo sobressair. Além de marcar a direcão de Meca, o nicho apresenta uma estrutura em formato côncave o que ajuda a amplificar a voz durante a oração. O Mihrab tradicional é um elemento comum da arquitetura mesquita islâmica em todo o mundo. Em geral essa parede é a mais decorada da mesquita.
Esse Mihrab do MET que veio do Irã foi construído entre 1354 e 1355 e feito dentro dos padrões tradicionais de um elaborado trabalho de mosaico em azulejos com inscrições em árabe.
E agora sobre a caligrafia usada no Mihrab: historicamente, as religiões no ocidente sempre usaram imagens figurativas para revelarem a essência de suas convicções. Dentro da religião mulçumana, esse aspecto figurativo era uma expressão de idolatria e, portanto foi eliminado sendo substituído pela caligrafia, para a transmissão de seus princípios religiosos.
A caligrafia é um símbolo que representa integração, perfeição e poder. Através da beleza abstrata das linhas, a energia flui entre as letras e palavras. A caligrafia arábica não é simplesmente uma forma de arte, mas abrange representações divinas levando o fiel a expressão sublime.
Essa exposição será permanente no museu.










