Arte e Arquitetura em NY
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0512/09

Teresita Fernández tenta agitar seu trabalho usando chumbinhos

Teresita Fernández

Estou muito interessada na nova tecnologia de nanotubos de carbono, então quando li a respeito dessa instalação toda feita de grafite, ou chumbo (que é um derivado do carbono) fui rapidinho dar uma olhada na galeria em Chelsea. No entanto para minha decepção não tem nada a ver com meu interesse em nanotecnologia.

Teresita Fernández , nasceu em 1968 em Miami e atualmente mora no Brooklyn. Para essa exibição, Teresita moldou milhares (sem exagero) de chumbinhos e colocou nas paredes da galeria, num formato ondulado imitando as ondas do mar. Ela enfatizou as marcas de sombra que os objetos modelados formam com um borrão de lápis dando um aspecto meio surreal ao contexto geral da exposição.  

Achei a exibição “bem comportada” e sem trazer nada de novo nesse mercado saturado com uma atitude de vale tudo.

A instalação ficará na Lehmann Maupin até dia 19 de dezembro.

Por Vera Angelico | 0 comentários
2911/09

David Hockney: fez a fama e deitou na cama

hockney

O famoso pintor inglês David Hockney que já está com 72 anos, é claramente um dos casos típicos de alguém que fez a fama e deitou na cama. Expressão tipicamente brasileira que indica a condição dessa exibição no Chelsea.

Não pude tirar fotos, pois a galeria não deixou, mas coloquei acima uma imagem tirada do flickr.com onde deixam a gente publicar algumas fotos. O pintor inglês é muito famoso com suas pinturas de “Swimming Pool” (Piscina), nas quais trabalhou por muito tempo. Hockney fez parte integral do grupo de artistas em Londres dos anos 60, se tornado assim um símbolo cultural da época, muitas vezes retratando abertamente sua homossexualidade, ilegal naquele período na Inglaterra. Na realidade, um de seus quadros foi vendido há alguns meses atrás por $7.9 milhões de dólares. Daí dá para se ter uma noção da popularidade desse artista.

Já fazia algum tempo que ele não mostrava seu trabalho e essa mostra foi antecipadamente esperada por vários críticos. Com 14 telas em óleo, a galeria apresenta enormes paisagens do lugar onde Hockney atualmente mora na Inglaterra.

A conhecida crítica de arte do New York Times, Roberta Smith, uma vez alegou de que é “difícil de resistir o trabalho de Hockney ou mesmo de levá-lo a sério, pois ele somente toca a superfície da obra de arte, emprestando liberalmente de mestres anteriores.”

Com essa fama toda ele faz o que quiser em seu trabalho artístico. No entanto, essas telas enormes com cores fortes e grandes formas geométricas, são por um lado extremamente atraente o que pode ser enganador de primeira vista. Numa segunda análise, o trabalho parece que desmorona em seu próprio peso das cores fortes e formas abundantes.

Passei uns minutos olhando para um quadro, e foi muito interessante – ele cansa. As figuras geométricas tão familiares – círculo, cubo, retângulo – após alguns minutos não “dizem” mais nada além do fato de que são facilmente compreensíveis. Evento muito parecido com a condição na qual vivemos hoje em dia onde experiências necessitam ser intensas, pois estamos perdendo a possibilidade de perceber a sutileza dos eventos comuns do cotidiano. Visualmente as imagens têm que ser forte e quase chocante para nos tocar e passamos despercebidos da grandeza do dia-a-dia. Vivemos num momento que solicita fortes emoções beirando o ostentoso, pois estamos nos tornando insensíveis a sutiliza do belo e do sublime.

Os quadros estarão na Pace Wildenstein em Chelsea até dia 24 de dezembro.

Por Vera Angelico | 0 comentários
3110/09

Bill Viola: Corpos de Luz

Bill Viola

Numa rápida visita ao Chelsea outro dia, vi os vídeos de Bill Viola: Bodies of Light, na James Cohan Gallery.

Eu creio que Bill seja um dos primeiros artistas a trabalhar com vídeo desde o começo de 1970. O tema que ele abrange é sempre relacionado a aspectos emocionais em geral com temas vinculados a um profundo questionamento sobre o significado da vida.

O vídeo mais significativo da mostra para mim foi um onde um casal passa lentamente por um jato de água se aproximando do observador e daí dá a volta e caminham no sentido oposto nos dando as costas. Bill disse numa entrevista que está procurando a revelação daqueles momentos onde passamos por transformações incríveis do Eu maior, e uma “nova luz nos acorda.” Essa é sua intenção nesse vídeo – o casal passa pelo limiar do jato de água para depois voltar – onde a vida e a morte se entremeiam. Seu trabalho revela essa tênue linha entre o finito e o infinito num vai e vem sem fim.

Gostei muito – não percam!

Até dia 19 de dezembro.

Por Vera Angelico | 0 comentários
0410/09

Carole Feuerman

 Carole Feuerman

Outra exibição no Chelsea que deixa muito a desejar.

Carole Feuerman: Swimmers, Bathers, Nudes na Jim Kempner Fine Art. Se você estiver procurando alguém que seja bom na habilidade do material usado, então sem dúvida que a Carole é uma artista excelente. Ela realmente sabe manipular o material que usa, e seu trabalho convence. Por outro lado, eu me pergunto – - a arte ‘verdadeira’ deveria ir muito alem disso, não? Dexteridade e habilidade somente não bastam, não é verdade?

Pelo menos, essa é minha opinião. Com duas figuras logo na entrada da galeria num pequeno pátio ao ar livre (um dos poucos na cidade), a artista expõe duas figuras de mulheres. A que está de pé, Tree, 2009, mede quase 1,5 metros de altura, e a maior chamada The Survival of Serena (White Cap), 2009, mede quase 2 metros de altura. E se você entrar na galeria tem mais figuras lá dentro.

O melhor dessa visita ainda é a galeria. Localizada na 23rd Street é muito agradável e bem projetada com sua entrada de vidro e aço corten ( um aço com alto teor de cobre que adquire uma cor avermelhada com o tempo).

Até dia 31 de outubro.

Por Vera Angelico | 0 comentários
3009/09

Às voltas nas galerias de Chelsea: Maya Lin

Maya Lin

Conforme dizem por aqui quando a coisa é muito boa – Run Don’t Walk (Corra, não Ande) para ver essa mostra. Maya Lin em Chelsea onde esta fazendo uma exibição maravilhosa onde ela apresenta um trabalho que revela o surpreendente interstício entre arquitetura e arte. Nessa época que vivemos onde vale tudo e qualquer tipo de arte é considerado como revelante, encontrar alguém que está consistentemente fazendo um bom trabalho está bem difícil. Especialmente nas galerias do Chelsea que é o lugar onde tradicionalmente se deveria encontra bons artistas, mas infelizmente o espírito do vale tudo prevalece.

Maya Lin: Three Ways of Looking at the Earth (Três Maneiras de Olhar a Terra ou Mundo) na PaceWildenstein nos convida a olhar a paisagem a nossa volta de uma outra maneira. Usando métodos tecnológicos mais avançados (fotografias tiradas de satélite, radar de cartografia e sonar) ela estuda o mundo natural e traduz essa informação num gesto puramente intuitivo.

São três instalações enormes que nos levam a refletir no modo que vemos o mundo. Cada instalação foi criada com a preocupação de revelar algo novo e para trazer consciência sobre a atual situação do planeta que habitamos. Sua intenção não é so de procurar esclarecer a audiência, mas também desafiar nosso relacionamento psicológico e físico com o mundo natural. Maya menciona em seu catalogo para essa exibição: “Um forte respeito e amor pelo meio ambiente existe em todo meu trabalho. Eu não consigo me lembrar de quando eu não me preocupei com a condição do meio ambiente nem quando eu não me senti humilde diante da beleza do mundo natural…esses trabalhos são uma resposta a essa beleza”. Inspirador não? Lindo, lindo!

São três topografias revelando um mundo real e imaginário. Por exemplo, 2 x 4 Landscape (2 x 4 Paisagem) inicialmente foi concebida por Maya como uma maneira de trazer paisagismo num cenário arquitetônico. A instalação, consistindo de 50.000 pedaços de madeira de 2 x 4 (2×4 é uma medida típica da madeira usada em construção), e se assemelham a uma onda ou colina que sobe a 3 metros de altura ocupando um total de 170 metros quadrados.

Essas topografias são definitivamente um trabalho da arte que você tem que ver em pessoa para apreciá-los em sua plena majestade. Existem algumas coisas na vida que precisam ser vista pessoalmente – descrição e fotos não bastam. Na realidade acho que quase tudo na vida é assim. Chega um ponto que temos que sair do teórico e partir para a experiência.  

Sem duvida, que essa foi a melhor exposição que vi nesses últimos meses. É claro, que eu sou a maior fã da Maya – acho que ela é a melhor arquiteta no momento. Aliás, ela não pode ser chamada de arquiteta, pois não passou os exames de arquitetura estipulados pela lei americana. Mas de qualquer forma, ela é basicamente a única pessoa trabalhando nessa interseção entre arte e arquitetura que foi tristemente abandonada e ignorada por tantos séculos.

A única sugestão que faria a Maya é de que ela deveria ter usado madeira reciclada em suas instalações — só isso.

A exposição ficara aberta até dia 24 de outubro.

Por Vera Angelico | 0 comentários
2809/09

Preços exorbitantes mesmo nessa crise financeira

Michel Basquiat            Julian Schnabel   

 Ai Wei Wei 

A Mary Boone Gallery é uma das galerias mais conhecidas na cidade.  Sua dona e diretora, Mary Boone, abriu sua galeria em 1977 e desde então tem tido um sucesso inigualável. O que ela fala no mundo da arte é levado a sério e todo mundo ouve.

Ela está com uma exposição de vários artistas famosos, nada de muito impressionante com relação à qualidade do trabalho, mas não digo o mesmo com relação ao mercado de arte. Já que você está fazendo um tour pelo Chelsea, tem três trabalhos nessa galeria você deveria dar uma olhada só por curiosidade por causa dos preços.

O primeiro é uma tela de Michel Basquiat, o grafiteiro que foi um dos favoritos de Andy Warhol, e que morreu muito cedo aos 28 anos. O nome da obra é Pedestrian 1, 1984, em acrílico mede 1,5 por 1,3 metros em vermelho com uma figura em preto.  Acredite ou não, essa peça foi vendida pelo preço de nove milhões de dólares!! Tem muito zero aí — $ 9.000.000,00. Crise financeira? Onde?

O segundo trabalho é de Julian Schnabel, um artista americano meio metido a arquiteto. Ele decorou o interior do Gramercy Park Hotel aqui em Nova York. Sua tela chamada Born in 1951, San Sebastian, 1979, mede 2,8 por 1,6 metros em tons de rosa. Esse foi vendido por um preço um pouco mais modesto – 3 milhões.

O terceiro é uma jarra antiga de por volta de 500 – 3000 AC, onde o artista chinês Ai Wei Wei, (outro artista metido a arquiteto) pintou o conhecido símbolo da Coca-Cola no vaso. O titulo da obra é claro, só poderia ser Coca Cola vase, 1994. Esse então foi uma pechincha – somente 125 mil dólares.

Eu gostaria de entender mais quem determina esse mercado financeiro. Não é curioso? E extremamente confuso.

Os trabalhos estarão lá até dia 24 de outubro.

Mary Boone Gallery

Não se esqueça de admirar o espaço interior dessas galerias — são supreendemente lindas como essa foto acima do teto da Mary Boone.

Por Vera Angelico | 0 comentários
0208/09

6 trabalhos, 6 salas e as mulheres de John Currin

Dan Flavin

Fred Sandback

John Currin

Se você é realmente um amante de arte, não pode deixar de ir até o Chelsea para dar uma olhada em algumas de suas 500 e pouco galerias. Outra coisa, preste atenção nos espaços lindos que foram criados para alojar essas galerias. Estruturas que eram usadas como armazéns, agora abrigam esses ambientes maravilhosos. É quase que inacreditável de pensar que o Chelsea há 30 aos atrás era um local muito perigoso.

Outro dia, fui até a galeria David Zwirner , 525 West 19th Street. A exibição chamada 6 Works, 6 Rooms, é exatamente como o título divulga – seis trabalhos em seis salas. Os artistas conceituais dos anos 60 e 70 são: Dan Flavin, On Kawara, Sol LeWitt, John McCracken, Fred Sandback, e Richard Serra. Essa exibição mostra onde os conceituais abandonaram a representação realista, reduzindo os componentes a formas básicas. A intenção é de interrogar e incluir o observador no espaço, e ao mesmo tempo revelar o processo de construção da obra.

Não muito longe da galeria na 19th Street, a Andrea Rosen Gallery, 525 West 24th Street, está com uma mostra de desenhos do americano John Currin — Works on Paper: A Fifteen Year Survey of Women. Seu trabalho constitui basicamente de mulheres onde ele exagera as formas anatômicas, particularmente, os seios.

Currin diz que está interessado em analisar como a atenção do observador pode ser consumida pela matéria apresentada. Como não prestar atenção no material apresentado quando a assunto é tão explicito? No entanto a habilidade técnica do Currin é reconhecida por todos sem hesitação.

“Nós intencionalmente escolhemos o período entre 1992 e 2003 porque representa a parte mais ativa na prática de desenho do artista,” diz a curadora da galeria. “Não é por um acaso que depois que 2003 Currin só autorizou três trabalhos em papel; ao redor de 2001 começou a utilizar imagens digitais.”

6 Works, 6 Rooms irá até dia 14 de agosto e a de John Currin até dia 21 de agosto.

Por Vera Angelico | 0 comentários

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