Arte e Arquitetura em NY
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2311/09

Nouvel à la Mondrian

Jean Nouvel

Os chamados ultra-ricos agora têm mais uma alternativa para formarem sua residência. É o novo prédio residencial do arquiteto francês Jean Nouvel. Do lado do prédio recentemente acabado do também ultra-famoso Frank Gehry (blog do dia 19 de agosto) o novo prédio de Nouvel lidera agora as páginas dos jornais americanos.

Uma estrutura de vidro, aço, e concreto, o novo edifício tem 21 andares com 72 apartamentos, que variam em tamanho de 90 a 500 metros quadrados e com preços de $1.600.000 a $22.000.000 dólares. Fazendo as contas, o povo está pagando entre $18.000. e $44.000. dólares o metro quadrado! É muita grana!

Dei uma olhada no site e na planta baixa dos apartamentos, e para dizer a verdade, achei os apartamentos mal concebidos – os espaços não parecem fluir e quase todos tem um longo corredor que leva a sala de estar. Numa cidade caríssima como Nova York, é um grande desperdício gastar dinheiro em corredores. 

Pois é – apartamento feito pelo Jean Nouvel dá muito status. Sua ascensão a fama começou com o L’Institut du Monde Arabe em Paris em 1988. Fui visitar o instituto numa visita a Paris em 1994 e não me deixaram entrar por questões de segurança, mas pude admirar a fachada que o tornou conhecido mundialmente. A frente do prédio foi feita de vidro blindado e uma tela metálica com um mecanismo que abre e fecha de acordo com a intensidade da luz entrando na estrutura. Essa tela forma motivos geométricos numa lembrança da arquitetura islâmica. O efeito é realmente estupefante. Nouvel mostrou sua sensibilidade quando cruzou as barreiras históricas (tradição do Islã e tecnologia do século XX) e apresentou uma abordagem contextual à estrutura.  

Para o projeto em Chelsea, o arquiteto alega ter desenhado uma fachada de vidro que utiliza a tecnologia mais avançada no mercado, e o primeiro prédio desse tipo na cidade de Nova Iorque. Com uma leve curvatura, a fachada tem quase 1.700 vidraças de tamanhos diferentes e colocados em ângulos variados. Parece com a famosa tela de Piet Mondrian – a Broadway Boogie Woogie de 1942. 

Nessas alturas eu só estou pensando no pessoal que teve que detalhar esse projeto – um manual de construção. Só arquitetos realmente sabem como dá trabalho fazer os desenhos de construção.

Acho que posso dizer com total convicção de que o arquiteto francês é muito chegado na superfície de seus projetos. Como diria em inglês ele é do tipo skin deep – não vai muito fundo. O negócio dele é conceber fachadas.

Outro “detalhe” importantíssimo para o dia de hoje – li em algum lugar que esse projeto foi LEED certified, que indica que esse projeto adotou medidas para conservar o meio ambiente. Espero que essa informação seja correta. Hoje em dia deveria ser proibido construir qualquer estrutura que não honre medidas básicas para preservar nosso planeta.  

Quando você estiver em Chelsea dê uma olhada no imóvel que fica na 100 Eleventh Avenue.

Por Vera Angelico | 0 comentários
1707/09

High Line

High Line

High Line

High Line em Chelsea do lado oeste no Meatpacking District é o parque mais recente na cidade e inaugurou sua primeira etapa no mês passado. O parque atualmente está aberto entre a Gansevoort Street até a 20th Street. Dentro de alguns meses o parque será aberto em sua total extensão até a 30th Street. O projeto é de Diller Scofidio + Renfro, um dos mais badalados arquitetos do momento.

O High Line foi construído por volta de 1930, como parte de um projeto de infra-estrutura público com a intenção de melhorar a parte oeste de Nova Iorque que estava na época em condições precárias. Para isso, foi feito uma linha de trem acima do solo para cargas pesadas e aliviando dessa forma o enorme número de atropelamentos na região. O tráfico de trem parou em 1980 e desde então a linha estava abandonada. Em 1999 um grupo foi formado para preservar a estrutura histórica que estava sob ameaça de demolição. 

E o parque está também apresentando um trabalho feito pela artista Spencer Finch, com o titulo de The River That Flows Both Ways. O título deste trabalho vem da palavra indígena americana do Hudson River, Muhheakantuck. Este trabalho está localizado na High Line no espaço onde atravessa o edifício de Chelsea Market. Finch transforma o local com 700 painéis de vidro representando as condições de água do Hudson River sobre um único dia. Para criar o projeto, a artista fotografou o Hudson River 700 vezes do convés de um barco e cada imagem foi então cuidadosamente transferida a um painel.

O parque está rodeado de apartamentos projetados por arquitetos famosos. Na foto acima o High Line passa bem no meio de um hotel que está bem popular chamado The Standard Hotel. Mais para frente você poderá ver um projeto de Frank Gehry já pronto e mais dois em construção — um do francês Jean Nouvel e outro do japonês Shigeru Ban. Com isso tudo essa área está agora uma das mais badaladas da cidade com muitos restaurantes e barzinhos.

Com toda essa festa com a abertura do parque, o projeto do High Line tem sido atacado por grupos ecológicos por ter usado madeira ipê para os bancos públicos, e as arquibancadas. Parece que o problema é que os fabricantes de ipê brasileiros estão sendo acusados de cortar a madeira ilegalmente que eram provenientes de reservas e, portanto deveria ser preservada. Eu não acredito nessas acusações… imagine o Brasil fazendo uma coisa dessas! Que absurdo né?

O High Line está aberto ao público todos os dias das sete até as 22 horas.

Por Vera Angelico | 0 comentários

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