Arte e Arquitetura em NY
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0212/09

Bryant Park se transforma para o inverno

Bryant Park

Mesmo se você não souber patinar (como eu) não deixe de ir dar uma passeada no Bryant Park. Compare com o blog que fiz no verão (13 de agosto) e veja a transformação.

Com a chegada do Natal, o parque fica muito festivo e alegre. Várias lojinhas foram montadas ao redor do grande centro de patinação e tem muita coisa para comprar. De roupa de nenê até pipoca para provar, você acha por lá.

Por Vera Angelico | 0 comentários
2911/09

David Hockney: fez a fama e deitou na cama

hockney

O famoso pintor inglês David Hockney que já está com 72 anos, é claramente um dos casos típicos de alguém que fez a fama e deitou na cama. Expressão tipicamente brasileira que indica a condição dessa exibição no Chelsea.

Não pude tirar fotos, pois a galeria não deixou, mas coloquei acima uma imagem tirada do flickr.com onde deixam a gente publicar algumas fotos. O pintor inglês é muito famoso com suas pinturas de “Swimming Pool” (Piscina), nas quais trabalhou por muito tempo. Hockney fez parte integral do grupo de artistas em Londres dos anos 60, se tornado assim um símbolo cultural da época, muitas vezes retratando abertamente sua homossexualidade, ilegal naquele período na Inglaterra. Na realidade, um de seus quadros foi vendido há alguns meses atrás por $7.9 milhões de dólares. Daí dá para se ter uma noção da popularidade desse artista.

Já fazia algum tempo que ele não mostrava seu trabalho e essa mostra foi antecipadamente esperada por vários críticos. Com 14 telas em óleo, a galeria apresenta enormes paisagens do lugar onde Hockney atualmente mora na Inglaterra.

A conhecida crítica de arte do New York Times, Roberta Smith, uma vez alegou de que é “difícil de resistir o trabalho de Hockney ou mesmo de levá-lo a sério, pois ele somente toca a superfície da obra de arte, emprestando liberalmente de mestres anteriores.”

Com essa fama toda ele faz o que quiser em seu trabalho artístico. No entanto, essas telas enormes com cores fortes e grandes formas geométricas, são por um lado extremamente atraente o que pode ser enganador de primeira vista. Numa segunda análise, o trabalho parece que desmorona em seu próprio peso das cores fortes e formas abundantes.

Passei uns minutos olhando para um quadro, e foi muito interessante – ele cansa. As figuras geométricas tão familiares – círculo, cubo, retângulo – após alguns minutos não “dizem” mais nada além do fato de que são facilmente compreensíveis. Evento muito parecido com a condição na qual vivemos hoje em dia onde experiências necessitam ser intensas, pois estamos perdendo a possibilidade de perceber a sutileza dos eventos comuns do cotidiano. Visualmente as imagens têm que ser forte e quase chocante para nos tocar e passamos despercebidos da grandeza do dia-a-dia. Vivemos num momento que solicita fortes emoções beirando o ostentoso, pois estamos nos tornando insensíveis a sutiliza do belo e do sublime.

Os quadros estarão na Pace Wildenstein em Chelsea até dia 24 de dezembro.

Por Vera Angelico | 0 comentários
2311/09

Nouvel à la Mondrian

Jean Nouvel

Os chamados ultra-ricos agora têm mais uma alternativa para formarem sua residência. É o novo prédio residencial do arquiteto francês Jean Nouvel. Do lado do prédio recentemente acabado do também ultra-famoso Frank Gehry (blog do dia 19 de agosto) o novo prédio de Nouvel lidera agora as páginas dos jornais americanos.

Uma estrutura de vidro, aço, e concreto, o novo edifício tem 21 andares com 72 apartamentos, que variam em tamanho de 90 a 500 metros quadrados e com preços de $1.600.000 a $22.000.000 dólares. Fazendo as contas, o povo está pagando entre $18.000. e $44.000. dólares o metro quadrado! É muita grana!

Dei uma olhada no site e na planta baixa dos apartamentos, e para dizer a verdade, achei os apartamentos mal concebidos – os espaços não parecem fluir e quase todos tem um longo corredor que leva a sala de estar. Numa cidade caríssima como Nova York, é um grande desperdício gastar dinheiro em corredores. 

Pois é – apartamento feito pelo Jean Nouvel dá muito status. Sua ascensão a fama começou com o L’Institut du Monde Arabe em Paris em 1988. Fui visitar o instituto numa visita a Paris em 1994 e não me deixaram entrar por questões de segurança, mas pude admirar a fachada que o tornou conhecido mundialmente. A frente do prédio foi feita de vidro blindado e uma tela metálica com um mecanismo que abre e fecha de acordo com a intensidade da luz entrando na estrutura. Essa tela forma motivos geométricos numa lembrança da arquitetura islâmica. O efeito é realmente estupefante. Nouvel mostrou sua sensibilidade quando cruzou as barreiras históricas (tradição do Islã e tecnologia do século XX) e apresentou uma abordagem contextual à estrutura.  

Para o projeto em Chelsea, o arquiteto alega ter desenhado uma fachada de vidro que utiliza a tecnologia mais avançada no mercado, e o primeiro prédio desse tipo na cidade de Nova Iorque. Com uma leve curvatura, a fachada tem quase 1.700 vidraças de tamanhos diferentes e colocados em ângulos variados. Parece com a famosa tela de Piet Mondrian – a Broadway Boogie Woogie de 1942. 

Nessas alturas eu só estou pensando no pessoal que teve que detalhar esse projeto – um manual de construção. Só arquitetos realmente sabem como dá trabalho fazer os desenhos de construção.

Acho que posso dizer com total convicção de que o arquiteto francês é muito chegado na superfície de seus projetos. Como diria em inglês ele é do tipo skin deep – não vai muito fundo. O negócio dele é conceber fachadas.

Outro “detalhe” importantíssimo para o dia de hoje – li em algum lugar que esse projeto foi LEED certified, que indica que esse projeto adotou medidas para conservar o meio ambiente. Espero que essa informação seja correta. Hoje em dia deveria ser proibido construir qualquer estrutura que não honre medidas básicas para preservar nosso planeta.  

Quando você estiver em Chelsea dê uma olhada no imóvel que fica na 100 Eleventh Avenue.

Por Vera Angelico | 0 comentários
1911/09

Recess: hora do recreio

Recess

Olhem só que charme do jeito que os arquitetos usaram o bambu para sentar e andar no Recess. Álias, um nome que cabe muito bem a esse novo lugar de encontro na University Place com a 10th Street próximo da Union Square.

A tradução mais próxima de Recess é recreio, e é onde você pode tomar um cafezinho no inverno para esquentar, ou sorvete no verão.

Um lugarzinho pequeno, mas bem projetado em seus detalhes. Como o famoso arquiteto Ludwig Mies van der Rohe costumava dizer:” God is in the details.” Deus está nos detalhes. E parece que com esse princípio em mente, o arquiteto Julio Salcedo da firma de arquitetura scalar Architecture, desenhou essa casa de café. Na realidade, são nesses detalhes que o projeto passa de um design medíocre a uma expressão significativa do espaço utilizado. É uma pena que esse tipo de atenção seja uma rara habilidade da maioria dos designers de hoje.

Por exemplo — da forma que o arquiteto usou bambu no espaço interno, a iluminação, ou o revestimento das janelas – são os detalhes que dão um toque estético ao ambiente o tornando agradável e aconchegante. Toda vez que passo pelo Recess, está sempre cheio de gente. É um lugar que dá vontade de ficar.  A utilização que fizeram do bambu é muito interessante – não só é um excelente material para o meio ambiente, mas da forma como improvisaram o material com estrias em tons de madeira clara e escura dando textura à superfície.

O Recess fica na 60 University Place.

Por Vera Angelico | 0 comentários
1611/09

Time Warner no Natal

Columbus Circle

Eu acho que não tem coisa mais bonita do que a Big Apple no Natal. Uma excelente pedida é dar um pulo no Columbus Circle e dar uma olhada nas luzes de Natal no Time Warner Building.

Está tudo muito lindo — as luzes mudando de cor, a música e o povo todo andando em volta dão um toque mágico ao lugar!

Por Vera Angelico | 0 comentários
1111/09

Samurai = “aquele que serve”

Art of the Samurai

Uma exposição maravilhosa está acontecendo no Metropolitam Museum of Art (MET) chamada Art of the Samurai: Japanese Arms and Armor, 1156–1868. 

Essa é a primeira exposição dedicada às artes do samurai, de acordo com o catálogo da exibição. A mostra focaliza nas armaduras e armas da época, como as espadas e alguns equipamentos de arco e flecha, assim como vários equipamentos eqüestres.

Procurei na Wikipédia (que sabe tudo!) sobre o samurai:

“Os samurais eram como soldados da aristocracia do Japão entre 1100 e 1867. Com a restauração Meiji a sua era, já em declínio, chegou ao fim. Suas principais características eram a grande disciplina, lealdade e sua grande habilidade com a katana (espada).”

Os objetos são todos por volta de 1156 até 1868, quando a cultura do samurai foi abolida e a maior parte é proveniente de coleções particulares.

Essa exibição é excelente para adultos e crianças também.

Tentei fazer em youtube bem rapidinho mas os guardas vieram atrás de mim dando bronca. Então achei melhor não colocar no blog. Daí fica a imagem acima da entrada.

Até dia 10 de janeiro de 2010.


Por Vera Angelico | 0 comentários
0911/09

Que tal um cafézinho no Soho?

La Colombe

Tem gente que jura que não tem melhor café do que o famoso Starbucks. Pois é… No entanto outro dia fui ao La Colombe no Soho e me disseram que não só o café é muito melhor, mas o ambiente muito mais charmoso. Como eu não entendo nada de café, tenho que acreditar nos sabidos. Me disseram que o Americano é fantástico! E outra – o atendimento super agradável também. E gostei muito do design do Colombe. Quem disse que Bigger is better (Maior é melhor) ?

Um projeto da firma de arquitetos de Nova York, OBRA Architects, combina uma simplicidade de detalhes com uma riqueza de formas, tornado o local aconchegante. Apesar de ser bem pequenininho, não tive a sensação de estar num espaço apertado. Para trazer mais luz natural dentro do ambiente, os arquitetos fizeram a fachada quase toda de vidro e na entrada deram um toque criativo arredondando na porta.

O La Colombe fica na 270 Lafayette Street entre a Spring e a Prince Street.

Por Vera Angelico | 0 comentários
0711/09

El Museo del Barrio

El Museo del Barrio

Após uma extensa renovação que custou 35 milhões de dólares, o El Museo Del Barrio abriu as portas no mês passado para celebrar seu quadragésimo aniversário. Criado por um porto-riquenho que queria um lugar para mostrar peças de arte de seu país, o museu hoje é um importante marco cultural para a arte latino americana.

O diretor do museu disse que há dez anos atrás, eles estavam recebendo uma média de 20,000 visitantes por ano. No ano passado, tiveram mais de 120, 000 pessoas, e ele prevê que esse número certamente duplicará no ano que vem.

A renovação aumentou as salas de exibição e marcou um ponto de entrada para o prédio com uma fachada de vidro combinando com tiras de madeira de ipê. Os arquitetos também deram um toque bem colorido com alguns ambientes dentro do museu. Cor de laranja para a livraria e a cafeteria e portas verde-limão para o auditório!

Essa visita me fez pensar que talvez esteja na hora de termos um lugar para patrocinar nossa arte brasileira. Poderia ser uma combinação de música, arte, teatro, arquitetura (é claro) e tudo que é relacionado com arte. Sem dúvida, de que como o El Museo diz que o museu é para arte da América Latina. Sabemos, sem pretensões elitistas, de que nosso passado histórico é bem diferente do resto do continente e por essa razão nosso legado tem um diferente “sabor.”

Já imaginou que ótimo um lugar para mantermos um acervo de nossa arte? Um elo para os brasileiros vivendo fora e para os americanos entenderem um pouco mais de nossa cultura. E então — o que vocês acham? Se alguém estiver lendo esse blog, por favor, me dê sua opinião, tá bom?

Por Vera Angelico | 0 comentários
0111/09

Central Park no outono

Central Park

Se você estiver por aqui esse fim de semana vá até o Central Park. Está lindo! E essa beleza passa rápido – bate uma chuvinha e as folhas caem todas.

O youtube foi feito na sexta-feira passada dia 29.

Por Vera Angelico | 0 comentários
3110/09

Bill Viola: Corpos de Luz

Bill Viola

Numa rápida visita ao Chelsea outro dia, vi os vídeos de Bill Viola: Bodies of Light, na James Cohan Gallery.

Eu creio que Bill seja um dos primeiros artistas a trabalhar com vídeo desde o começo de 1970. O tema que ele abrange é sempre relacionado a aspectos emocionais em geral com temas vinculados a um profundo questionamento sobre o significado da vida.

O vídeo mais significativo da mostra para mim foi um onde um casal passa lentamente por um jato de água se aproximando do observador e daí dá a volta e caminham no sentido oposto nos dando as costas. Bill disse numa entrevista que está procurando a revelação daqueles momentos onde passamos por transformações incríveis do Eu maior, e uma “nova luz nos acorda.” Essa é sua intenção nesse vídeo – o casal passa pelo limiar do jato de água para depois voltar – onde a vida e a morte se entremeiam. Seu trabalho revela essa tênue linha entre o finito e o infinito num vai e vem sem fim.

Gostei muito – não percam!

Até dia 19 de dezembro.

Por Vera Angelico | 0 comentários
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