Arte e Arquitetura em NY
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0712/10

OnLine

OnLine

Um desenvolvimento da arte de desenhar dos últimos 100 anos. Nessa exiblição On Line: Drawing Through the Twentieth Century, o MoMA sem dúvida rompeu as barreiras ao que é classicamente conhecido como desenho. Desde a famosa guitarra de Picasso feita em 1923 de papelão, ou uma tela no teto projetando Loie Fuller, uma americana morando em Paris, dançando vigorosamente e balançando suas longas mangas do vestido, os curadores nos desafiam a uma nova interpretação do que consideramos ser o desenho.

Logo no saguão de entrada, vemos uma escultura/instalação pendurada no teto da artista indiana, Ranjani Shettar. Uma rede com uma porção de bolinhas penduradas, a malha se extende por todo saguão com alturas diferentes, parecendo mais um desenho no espaço em 3 dimensões.

 Acredito na necessidade de re-pensar, e rever padrões pré estabelecidos; por outro lado,  essa “empurrada de limites” que os curadores tentam fazer nessa mostra, nos traz para um modelo modernista em vez de nos localizar no tempo e espaço de século 21. Para mim, essa mostra é uma excelente retrospectiva do período modernista num contexto global. E triste de ver que mesmo os artistas contemporâneos trabalham ainda num contexto dos moldes antigos do começo do século passado. Parece que quanto mais se quer mudar, menos se muda.

A exposição se encerra no dia 7 de fevereiro.

Por Vera Angelico | 1 comentário
0412/10

Central Park em novembro

 

 

Central ParkFall2010

Final de novembro e o parque ainda está mais lindo do que nunca!

Por Vera Angelico | 0 comentários
2209/10

Sukkah City

sukkah

Pesquisando na wikipedia: Sucot (do hebraico ????? ou ??????? sukk?t, cabanas) é um festival judaico também conhecido como Festa dos Tabernáculos ou Festa das Cabanas ou, ainda, festa das colheitas visto que conincide com a estação das colheitas em Israel, no começo do Outono. É uma das três maiores festas, conhecidas como Shalosh Regalim, onde o povo de Israel peregrinava para o Templo de Jerusalém.

O Sucot relembra os 40 anos de êxodo dos judeus no deserto após a sua saída do Egito. Nesse período o povo judeu não tinha terra própria, eram nômades e viviam em pequenas tendas ou cabanas frágeis e temporárias. Como forma de simbolizar este período, durante a celebração de Sucot, os judeus deixam as suas casas e se abrigam sob folhas e galhos ao ar livre, simbolizando a sucá.

A sucá deve ser erguida ao ar livre e deve ser constituída de palha ou folhagem, que possibilita ver-se o céu. Deve ter pelo menos 3 paredes as quais não devem estar pregadas ao teto. É uma estrutura efêmera erigida por uma semana, onde é habitual compartilhar refeições.

A função religiosa da sucá é homenagear as estruturas temporárias usadas durante o êxodo de Egito. É também uma abordagem sobre idéias universais de transitoriedade e permanência expressados em arquitetura. A sucá é uma forma de entender a falta de moradia, enquanto que ao mesmo tempo permanecendo profundamente enraizado na tradição. Chama-nos para reconhecer o passar das estações, religar com um passado agrícola, e para lembrarmos o caráter temporal e impermanente da vida.

Sukkah City é uma competição internacional com a intenção de re-imaginar ou re-inventar uma forma antiga. Os esquemas ganhadores e muitas das entradas desenvolvem novos métodos de prática de material e propõe possibilidades radicais para limitações tradicionais de projeto na vida urbana contemporânea.

Foram 624 submissões de 43 países, e doze finalistas foram selecionados. Por dois dias, essas estruturas foram construídas insinuando uma pequena aldeia no Union Square.  

Como sempre umas construções melhores do que outras… e novamente como sempre, algumas sucás com aparência muito melhor no papel do que na realidade. Hoje em dia somos “vendidos” pela aparência glamorosa dos belíssimos desenhos computadorizados nos esquecendo de que na vida real essa aparência glamorosa toma um contexto muito diferente.

Por Vera Angelico | 1 comentário
0108/10

Matisse

Matisse

Nessa época do ano Nova York como sempre fica cheiíssima – milhares de turistas por toda parte! Então você pode imaginar como está esta cidade – não existe um lugar que se possa ir sem se estar rodeado de mil e uma pessoas. 

Imagine então como ficam os museus… abarrotadíssimos.Não sei se o povo está realmente interessado em arte ou fugindo do calor abafado que tem feito aqui. Em todo caso,  com a fama da exposição do Matisse no MoMA esse bem localizado centro de arte está atingindo ibope na venda de ingressos.

Todos os críticos de arte (sem exceção) estão babando quando descrevem essa exposição. Na realidade Matisse teve várias facetas – qual delas é sua preferida? O Matisse das paisagens coloridíssimas da fase dos fauvistas, ou o Matisse das obeliscas? Ou o Matisse das cenas de interiores suntuosos banhados em raios de sol feitos em Nice? No meu caso, eu prefiro as magníficas colagens sensuais produzidas no final de sua vida.

A exposição, Matisse: Radical Invention: 1913-1917, no Museu de Arte Moderna (MoMA) oferece uma visão compreensiva do artista de 1913 a 1917 período da 1ª. guerra mundial e daí talvez a razão do uso de tonalidades mais cinzentas em suas telas. Mesmo os mais informais amantes de arte se apaixonam com as pinturas de Henri Matisse (1869–1954) expostas nas salas do museu.  A nova exposição cobre os anos entre o retorno do Matisse de Marrocos a Paris em 1913 até sua partida em 1917. A exposição figura quase 110 dos trabalhos do Matisse, incluindo pinturas, esculturas, impressões e desenhos.

A metodologia de trabalho de Matisse me pareceu o foco dessa exibição.  Sua peça-chave é Bathers by a River, que Matisse trabalhou de 1909 a 1916, mostrando quatro figuras abstratas — três de pé e uma sentada. Com avançada tecnologia, os curadores mostram em detalhes o processo evolutivo da tela em uma apresentação de vídeo.  Igualmente sua série de esculturas que foi feita no período de 21 anos – Back (I) até Back (IV) – também são estudadas em minúcia e mostradas em vídeo. Usando uma variedade de novas tecnologias para investigar debaixo da superfície da arte do Matisse, os curadores demonstram como o artista constantemente reelaborava e revisava as suas idéias, raspando, arranhando e repintando as suas telas, adicionando e ou subtraindo de suas esculturas.

É quase impossível de reconhecer de que sua arte, tão amada agora, uma vez foi considerada pelos críticos uma afronta aos padrões respeitáveis da época. A exposição em MoMA traz o Matisse experimental e de vanguarda de volta lhe dando uma perspectiva mais adequada.   

A mostra se encerrará dia 11 de outubro.

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1807/10

Uma lágrima no limiar dos tempos

Taj Mahal

Uma lágrima no limiar dos tempos… foi como o poeta indiano Rabindranath Tagore descreveu o Taj Mahal, que significa a Coroa de Mahal. Assim sendo, depois de passar quase três semanas na India e ter visto esse maravilhoso monumento a única que posso fazer é compartilhar com vocês essa experiência magnífica que é esse enorme mausoléu dedicado ao amor.

Percebi um fator interessante quando vi o Taj Mahal em pessoa. O Taj é uma das poucas estruturas arquitetônicas que se parece muito com as fotos que vi em livros – o que é um fato raro. É extremamente difícil encontrar representações gráficas que justifiquem a ausência da presença física. Em geral, critico aqueles que se baseiam nas fotos para opinionar sobre prédios famosos sem nunca o terem visitado. Acredito o Taj ser o primeiro exemplo de uma arquitetura que é muito fotogênica!

Imagine que sua grande cúpula que domina visualmete o complexo dizem ser costurada com fios de ouro – será que é verdade?

Então aqui vai um pouquinho do histórico do lugar — o Taj Mahal é um mausoléu situado em Agra, uma cidade da Índia localizada quatro horas de trem da capital, Nova Deli. Este enorme edifício rematado com cúpulas foi construído em estilo indo-islâmico, onde se usou mármore branco e gemas incrustadas.  

A obra foi feita entre 1630 e 1652 com a força de cerca de 20 mil homens, trazidos de várias cidades do Oriente, para trabalhar no sumptuoso monumento que o imperador Shah Jahan mandou construir em memória de sua esposa favorita, a quem chamava de Mumtaz Mahal , A jóia do palácio. Ela morreu após dar à luz o 14º filho, tendo o Taj Mahal sido construído sobre seu túmulo, junto ao rio Yamuna.

Assim, o Taj Mahal é também conhecido como a maior prova de amor do mundo, contendo inscrições retiradas do Corão. É incrustado com pedras semipreciosas, tais como o lápis-lazúli entre outras.  Supõe-se que o imperador pretendesse fazer para ele próprio uma réplica do Taj Mahal original na outra margem do rio, em mármore preto, mas acabou deposto antes do início das obras por um de seus filhos.

Darwaza

A entrada principal, a “darwaza”, é um edifício monumental construído também em pedra vermelha.  As suas arcadas repetem as formas do mausoléu, e incorporam a mesma caligrafia decorativa. Se utilizam decorações florais em baixo-relevo e incrustações. As paredes e os tetos abobadado apresentam elaborados desenhos geométricos, similares aos que existem em outros edifícios do complexo. Originalmente a entrada fechava-se com duas grandes portas de prata, que foram desmontadas e fundidas em 1764.

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0506/10

Martin Creed

Martin CreedMartinCreed

A galeria Gavin Brown’s enterprise  (GBE) apresenta uma exposição do inglês Martin Creed inaugurando o espaço recém renovado.

Nessa exposição, Creed criou uma instalação titulada Work No. 1051, refazendo o chão da galeria com um arranjo de mais de 100 tipos de mármores em listras de cores e texturas variadas. As paredes estão vazias e o foco do trabalho são as listras. A intenção de Martin é provar a tese de que “trabalhos devem ter espaço para incluir as pessoas.” Sem dúvida de que com a galeria totalmente vazia há espaço de sobra para os visitantes… 

O trabalho de Martin é em geral classificado de minimalista pelos críticos de arte. Sua ascensão a fama ocorreu em 2001 quando ganhou o Turner Prize , o cobiçado e prestigioso prêmio que dão anualmente a artistas ingleses.

Eu como arquiteta não consigo deixar de pensar de que essa instalação seria uma excelente pedida para um showroom de vendedores de pisos de mármore. Então se alguém está procurando alternativas para pisos, esse trabalho vem a calhar!

A instalação encerrará no dia 19 de junho. Poderiam deixar com o piso como está — por que não?

Por Vera Angelico | 0 comentários
2605/10

MET está ainda mais alto com esse casal de gêmeos na cobertura

bambúMet

Convidados pelo Metropolitan Museum of Art para criar uma instalação para sua cobiçada cobertura, os gêmeos Mike e Doug Starn (nascido em Nova Jersey em 1961) apresentam seu novo trabalho, Big Bambú: You Can’t, You Don’t, and You Won’t Stop (Bambú Grande:  Você Não Pode, Você não Faz, e Você não Para).

A estrutura monumental de bambu — medindo 30 metros (100 pés) de comprimento, 15 metros (50 pés) de largura e de altura — toma a forma da crista de uma onda e ultrapassa ser categorizado como escultura, arquitetura, ou mesmo performance. Os visitantes testemunham a criação continuada e o desenvolvimento dessa instalação. Sua construção continuará até o final de agosto (o verão daqui) e está sendo erguido por uma  equipe de artistas e de alpinistas. Com o Central Park com seu pano de fundo urbano, Bambú Grande sugere a complexidade e energia de um organismo de vida em constante mutação.  

Bambú grande é uma crescente e vasta rede variável de 5,000 bambus encaixados e variando de 9 a 12 metros (30 a 40 pés) de comprimento, amarrados com 80 km (50 milhas — é muita corda!) de corda de nylon. Continuará a ser construído durante toda a duração da exposição. Os artistas e alpinistas estão construindo a porção do lado leste do museu que já está com 15 metros (50 pés). Até o final de agosto, é esperado que o lado oeste da escultura terá aproximadamente 40 pés de altura. Um sistema interno de trilhas está sendo desenvolvido junto com a estrutura, facilitando seu progresso.   

Doug Starn declara: “A razão que nós tivemos que fazer esa instalação tão grande é para nos fazer sentir pequeno – ou ao menos nos acordar ao fato de que individualmente não somos tão grandes. Uma vez que estamos conscientes de nossa verdadeira estatura podemos sentir uma parte de algo muito mais vasto que nós jamais poderiamos ter sonhado”.

O trabalho personificará uma natureza contraditória: está completo, mas é sempre inacabado. Trabalhar na escultura enquanto a exposição está aberta ao público, os artistas e as equipes de alpinistas (seis a vinte que estarão presentes durante fases diferentes do projeto) fornecerão visitantes uma oportunidade rara de experenciar esse trabalho enquanto se desvela.

“É uma estrutura temporária, mas também é uma escultura—não uma escultura estática, é um organismo do qual nós fazemos parte ajudando a mexer junto,” disse Mike Starn. “Construiremos uma vista diagramática de uma onda constantemente em movimento—nosso crescimento e mudança permanece invariável, é constante e inalterado”.

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1205/10

Batendo o pé no Bryant Park

walk the walk

“Walk the Walk” é uma expressão popular em inglês que significa que você faz o que diz, ou melhor, você é consistente em sua palavra. Então a tradução fica difícil no caso dessa “performance” que está acontecendo no Bryan Park. Pois na realidade a tradução literal seria “Andar o Passeio,” o que soa estranhíssimo.

“Walk the Walk” é o trabalho da artista Kate Gilmore feito de um cubo de madeira pintado amarelo medindo aproximadamente 3 metros por 3 metros, onde sete mulheres vestidas também em amarelo — e quando está mais frio, malhas cor-de-rosa brilhantes — andam com passos decididos ao redor do topo do cubo numa altura de 2,5 metros.

Basicamente, o trabalho é a representação de uma típica interseção do centro de Manhattan — que por sinal é onipresente em toda região. O ato também tem um aspecto de som-arte: quando você está dentro do cubo dá para ouvir a percussão desses sete pares de pés ambulantes, em seus saltos de marfim (todas usam sapatos beges); pisar ocasional de pés que falam das frustrações urbanas.  

A performance pode ser vista das 8:30 da manhã até 6:30 da tarde todos os dias, hora típica do trabalhador da ilha de Manhattan, procurando expor a energia urbana e frenética da cidade. Num zig-zag agitado, as sete mulheres chocam-se algumas vezes, para imediatamente recuperar o foco e determinação, e retomar seu passo.

A cor amarela, que faz o pedaço visível bem longe, também sugere a alegria antecipada dos funcionários dos escritórios ao redor, especialmente mulheres. 

Só estará lá até o dia 14 de maio.

Por Vera Angelico | 0 comentários
2604/10

Dicas do outro lado do Equador

Estou passando uns dias na maravilhosa Sao Paulo (com um laptop que nao tem teclado para acentos!) e aqui vao algumas dicas daqui.

Fui a Pinacoteca do Estado de Sao Paulo  onde e’ um grande prazer em rever a muito bem feita intervencao arquitetonica de Paulo Mendes da Rocha. Algumas obras de Candido Portinari e uma exposicao  bem documentada de nossa historia dos seculos XVII e XVIII.

Outra dica para um domingo de manha – a missa das 10 no Mosteiro  Sao Bento de Sao Paulo que tem canto gregoriano — comovente…

Por Vera Angelico | 0 comentários
1504/10

Marlene Dumas: contra a parede

Marlene Dumas

Marlene Dumas é considerada uma das pintoras mais importantes de hoje – é o que diz o folheto oferecido pela galeria. No entanto aqui nos EUA ela não é tão famosa como na Europa.

Marlene nasceu na África do Sul e suas pinturas freqüentemente revelam suas experiências com apartheid. Atualmente vive e trabalha na Holanda há mais de trinta anos. Seus quadros têm em geral uma conotação política, onde ela expõe suas experiências pessoais, fazendo referências históricas. Seu trabalho é caracterizado por uma técnica sensual e gestual que é também rápida, meio inacabada, como se ela estivesse querendo captar o âmago do assunto em questão, e interessada somente no necessário.

Nessa exposição suas pinturas claramente integram temas complexos e variam desde assuntos sobre segregação, erotismo, ou, mais acentuadamente, a política. Os trabalhos nesta exibição desenvolveram-se principalmente de imagens de jornal documentando nos conflitos entre Israel e Palestina, ela comentou durante uma intrevista.  Como no detalhe da foto acima, titulado The Wall, 2009 (A parede) ela mostra a famosa parede dessa instável área do Oriente Médio.  

Fiquei surpresa quando li artigos sobre a abertura dessa mostra e de que vários críticos não gostam dela. Eu gostei bastante – achei seu trabalho profundo e significativo, revelando temas atuais sem apelação para a ironia, característica típica dessa nossa era pós-modernista.

A exposição Against the Wall (Contra a Parede) encerrará no dia 24 de abril e está na galeria David Zwirner no Chelsea.

Por Vera Angelico | 0 comentários
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