Nouvel à la Mondrian
Os chamados ultra-ricos agora têm mais uma alternativa para formarem sua residência. É o novo prédio residencial do arquiteto francês Jean Nouvel. Do lado do prédio recentemente acabado do também ultra-famoso Frank Gehry (blog do dia 19 de agosto) o novo prédio de Nouvel lidera agora as páginas dos jornais americanos.
Uma estrutura de vidro, aço, e concreto, o novo edifício tem 21 andares com 72 apartamentos, que variam em tamanho de 90 a 500 metros quadrados e com preços de $1.600.000 a $22.000.000 dólares. Fazendo as contas, o povo está pagando entre $18.000. e $44.000. dólares o metro quadrado! É muita grana!
Dei uma olhada no site e na planta baixa dos apartamentos, e para dizer a verdade, achei os apartamentos mal concebidos – os espaços não parecem fluir e quase todos tem um longo corredor que leva a sala de estar. Numa cidade caríssima como Nova York, é um grande desperdício gastar dinheiro em corredores.
Pois é – apartamento feito pelo Jean Nouvel dá muito status. Sua ascensão a fama começou com o L’Institut du Monde Arabe em Paris em 1988. Fui visitar o instituto numa visita a Paris em 1994 e não me deixaram entrar por questões de segurança, mas pude admirar a fachada que o tornou conhecido mundialmente. A frente do prédio foi feita de vidro blindado e uma tela metálica com um mecanismo que abre e fecha de acordo com a intensidade da luz entrando na estrutura. Essa tela forma motivos geométricos numa lembrança da arquitetura islâmica. O efeito é realmente estupefante. Nouvel mostrou sua sensibilidade quando cruzou as barreiras históricas (tradição do Islã e tecnologia do século XX) e apresentou uma abordagem contextual à estrutura.
Para o projeto em Chelsea, o arquiteto alega ter desenhado uma fachada de vidro que utiliza a tecnologia mais avançada no mercado, e o primeiro prédio desse tipo na cidade de Nova Iorque. Com uma leve curvatura, a fachada tem quase 1.700 vidraças de tamanhos diferentes e colocados em ângulos variados. Parece com a famosa tela de Piet Mondrian – a Broadway Boogie Woogie de 1942.
Nessas alturas eu só estou pensando no pessoal que teve que detalhar esse projeto – um manual de construção. Só arquitetos realmente sabem como dá trabalho fazer os desenhos de construção.
Acho que posso dizer com total convicção de que o arquiteto francês é muito chegado na superfície de seus projetos. Como diria em inglês ele é do tipo skin deep – não vai muito fundo. O negócio dele é conceber fachadas.
Outro “detalhe” importantíssimo para o dia de hoje – li em algum lugar que esse projeto foi LEED certified, que indica que esse projeto adotou medidas para conservar o meio ambiente. Espero que essa informação seja correta. Hoje em dia deveria ser proibido construir qualquer estrutura que não honre medidas básicas para preservar nosso planeta.
Quando você estiver em Chelsea dê uma olhada no imóvel que fica na 100 Eleventh Avenue.



