Arte e Arquitetura em NY
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0108/10

Matisse

Matisse

Nessa época do ano Nova York como sempre fica cheiíssima – milhares de turistas por toda parte! Então você pode imaginar como está esta cidade – não existe um lugar que se possa ir sem se estar rodeado de mil e uma pessoas. 

Imagine então como ficam os museus… abarrotadíssimos.Não sei se o povo está realmente interessado em arte ou fugindo do calor abafado que tem feito aqui. Em todo caso,  com a fama da exposição do Matisse no MoMA esse bem localizado centro de arte está atingindo ibope na venda de ingressos.

Todos os críticos de arte (sem exceção) estão babando quando descrevem essa exposição. Na realidade Matisse teve várias facetas – qual delas é sua preferida? O Matisse das paisagens coloridíssimas da fase dos fauvistas, ou o Matisse das obeliscas? Ou o Matisse das cenas de interiores suntuosos banhados em raios de sol feitos em Nice? No meu caso, eu prefiro as magníficas colagens sensuais produzidas no final de sua vida.

A exposição, Matisse: Radical Invention: 1913-1917, no Museu de Arte Moderna (MoMA) oferece uma visão compreensiva do artista de 1913 a 1917 período da 1ª. guerra mundial e daí talvez a razão do uso de tonalidades mais cinzentas em suas telas. Mesmo os mais informais amantes de arte se apaixonam com as pinturas de Henri Matisse (1869–1954) expostas nas salas do museu.  A nova exposição cobre os anos entre o retorno do Matisse de Marrocos a Paris em 1913 até sua partida em 1917. A exposição figura quase 110 dos trabalhos do Matisse, incluindo pinturas, esculturas, impressões e desenhos.

A metodologia de trabalho de Matisse me pareceu o foco dessa exibição.  Sua peça-chave é Bathers by a River, que Matisse trabalhou de 1909 a 1916, mostrando quatro figuras abstratas — três de pé e uma sentada. Com avançada tecnologia, os curadores mostram em detalhes o processo evolutivo da tela em uma apresentação de vídeo.  Igualmente sua série de esculturas que foi feita no período de 21 anos – Back (I) até Back (IV) – também são estudadas em minúcia e mostradas em vídeo. Usando uma variedade de novas tecnologias para investigar debaixo da superfície da arte do Matisse, os curadores demonstram como o artista constantemente reelaborava e revisava as suas idéias, raspando, arranhando e repintando as suas telas, adicionando e ou subtraindo de suas esculturas.

É quase impossível de reconhecer de que sua arte, tão amada agora, uma vez foi considerada pelos críticos uma afronta aos padrões respeitáveis da época. A exposição em MoMA traz o Matisse experimental e de vanguarda de volta lhe dando uma perspectiva mais adequada.   

A mostra se encerrará dia 11 de outubro.

Por Vera Angelico | 0 comentários
2312/09

Lynda Benglis: a artista feminista

Lynda Benglis

Lynda Benglis entrou no cenário artístico de Nova York no final dos anos sessenta e fez fama derramando látex em telas no chão. O principal tema de seu trabalho é a exploração da sexualidade feminina. Essencialmente, Lynda é uma feminista.

Mas sua ascensão a fama realmente aconteceu quando em 1974 ela soube que iria ter uma revisão de seu trabalho na revista Artforum. Daí ela comprou um anúncio de duas páginas que na época custou aproximadamente $3.000. Nessas páginas ela se colocou nu com exceção de óculos escuros, segurando um dildo enorme (pênis de plástico) entre as pernas. Ela revolucionou o mundo da arte com aquela foto. Foi uma maneira dela rebelar contra o mundo da arte machista que oferece poucas possibilidades para as mulheres. Os críticos de arte ficaram horrorizados com a publicação da foto. A célebre crítica de arte Rosalind Krauss comentou da divulgação da foto: “Um objeto de grosseria extrema – não o primeiro na história da revista, mas representa um salto qualitativo nesse gênero, brutalizando nossos leitores.”

Assim até hoje, o nome de Lynda Benglis ficou intensamente ligado a esse fato. No entanto, nada disso aparece nessa mostra, mas como dizemos… fez fama, deitou na cama. Atualmente, Lynda faz um trabalho muito mais conservador e não senti a preocupação dela estar procurando uma voz liberadora em suas esculturas como fez no passado.   

Até dia 2 de janeiro de 2010 na Cheim and Read em Chelsea.

 

 

Por Vera Angelico | 0 comentários
2610/09

Rose Center:uma viagem ao mundo das estrelas

American Museum of Natural History

Se você estiver interessada (o) em assuntos de espaço e Big Bang e coisa e tal, então você tem que ir ao Rose Center for Earth and Space. O Rose Center está ligado ao American Museum of Natural History, que têem em seu excelente acervo uma coleção de animais pré-históricos – ótima pedida para a criançada.

Mas mesmo se você estiver sans-filhote tem muita coisa para se ver no Rose Center especialmente se você for como eu e ficar fascinado por esse mundo das estrelas. Tem um filme no planetário chamado Journey to the Stars (Jornada das Estrelas), que conta a história da formação do planeta desde of começo –muito legal! E toda primeira sexta feira do mês tem festa regada a DJ sob um céu de estrelas e planetas  — simplesmente magnífico.

O Rose Center foi inaugurado em 2000 e é projeto da firma de arquitetura James Polshek. O museu ficou famoso por seu icônico cubo de vidro que foi colocado para encapsular o enorme planetário de 27 metros de diâmetro chamado  Hayden Planetarium.  De  noite com sua iluminação o Center fica parecendo mesmo d’otro mundo!

Logo após sua abertura o projeto foi muitas vezes criticado, pois parece uma cópia do famoso cenotáfio do arquiteto Francês Étienne-Louis Boullée com seu monumento a Isaac Newton chamado Cénotaph a Newton ( 1784).

Rose Center for Earth and Space

A rampa que foi filmada no youtube é a trajetória que mostra os marcos históricos do universo começando pelo Big Bang até hoje.

Uma visita ao Rose Center não é só extremamente informativa, mas também um divertimento para um dia de chuva, ou sol.

Por Vera Angelico | 2 comentários
2310/09

MOCA: celebrando a presença chinesa na América

MOCA Museum of Chinese in America

Um espaço para celebrar a influência chinesa em Nova York acabou de abrir entre Chinatown e Soho — MOCA- Museum of Chinese in America. Um museu não muito grande onde havia uma antiga fábrica de maquinários e renovado por minha arquiteta favorita: Maya Lin.

No espaço principal de exibição, a arquiteta, deixou as paredes com o tijolo existente exposto o que deu um charme ao lugar.  Daí ela criou um pátio central, em lembrança as tradicionais casas chinesas, e colocou uma escada para ligar o andar de baixo onde ficam os escritórios e salas de aulas.

Visualmente, Maya, conectou os vários espaços com aberturas que funcionam também como telas para projeção de fotos contando a história dos imigrantes. As salas são em geral pequenas e o museu tem um ar aconchegante – estranho usar essa palavra para um museu, mas é a verdade.  

A frente do museu dá para Centre Street e os fundos dá para a Lafayette Street e ambas as fachadas são simples e muito bem concebidas. E a entrada é de graça se você for na 5ª. feira.

Durante minha visita, aprendi alguns fatos interessantes sobre a imigração chinesa aos EUA, em particular como sofreram com o racismo. Comecei a pensar que talvez fosse interessante ter um centro para apresentar aos americanos às artes visuais do Brasil. Que tal um “Centro de Cultura” para as artes visuais brasileiras? Temos tanta gente criativa em nosso país, não?

Por Vera Angelico | 0 comentários
2110/09

Dia Beacon: quando você quiser ir um pouco mais longe

Dia:Beacon

Não muito longe de Nova York, tem um museu de arte contemporânea muito legal chamado Dia: Beacon. Fica nas margens to Hudson River e, portanto a viagem de trem até lá é muito agradável. Ainda mais nessa época do ano quando as árvores estão mudando de cor – um espetáculo visual.

O prédio foi construído em 1929 para ser uma fábrica de impressão e foi renovado em 2003, e com seus 24.000 metros quadrados oferece um espaço ideal para as enormes instalações de artistas como Sol LeWitt, James Turrell e Richard Serra.

DIA Beacon

O museu inteiro é assim – -bem iluminado com luz natural e amplo!

DIA Beacon

E um lugar perfeito para as instalações de James Turrell.

Richard Serra

Ou as esculturas imensas de Richard Serra.

Por Vera Angelico | 0 comentários
3009/09

Às voltas nas galerias de Chelsea: Maya Lin

Maya Lin

Conforme dizem por aqui quando a coisa é muito boa – Run Don’t Walk (Corra, não Ande) para ver essa mostra. Maya Lin em Chelsea onde esta fazendo uma exibição maravilhosa onde ela apresenta um trabalho que revela o surpreendente interstício entre arquitetura e arte. Nessa época que vivemos onde vale tudo e qualquer tipo de arte é considerado como revelante, encontrar alguém que está consistentemente fazendo um bom trabalho está bem difícil. Especialmente nas galerias do Chelsea que é o lugar onde tradicionalmente se deveria encontra bons artistas, mas infelizmente o espírito do vale tudo prevalece.

Maya Lin: Three Ways of Looking at the Earth (Três Maneiras de Olhar a Terra ou Mundo) na PaceWildenstein nos convida a olhar a paisagem a nossa volta de uma outra maneira. Usando métodos tecnológicos mais avançados (fotografias tiradas de satélite, radar de cartografia e sonar) ela estuda o mundo natural e traduz essa informação num gesto puramente intuitivo.

São três instalações enormes que nos levam a refletir no modo que vemos o mundo. Cada instalação foi criada com a preocupação de revelar algo novo e para trazer consciência sobre a atual situação do planeta que habitamos. Sua intenção não é so de procurar esclarecer a audiência, mas também desafiar nosso relacionamento psicológico e físico com o mundo natural. Maya menciona em seu catalogo para essa exibição: “Um forte respeito e amor pelo meio ambiente existe em todo meu trabalho. Eu não consigo me lembrar de quando eu não me preocupei com a condição do meio ambiente nem quando eu não me senti humilde diante da beleza do mundo natural…esses trabalhos são uma resposta a essa beleza”. Inspirador não? Lindo, lindo!

São três topografias revelando um mundo real e imaginário. Por exemplo, 2 x 4 Landscape (2 x 4 Paisagem) inicialmente foi concebida por Maya como uma maneira de trazer paisagismo num cenário arquitetônico. A instalação, consistindo de 50.000 pedaços de madeira de 2 x 4 (2×4 é uma medida típica da madeira usada em construção), e se assemelham a uma onda ou colina que sobe a 3 metros de altura ocupando um total de 170 metros quadrados.

Essas topografias são definitivamente um trabalho da arte que você tem que ver em pessoa para apreciá-los em sua plena majestade. Existem algumas coisas na vida que precisam ser vista pessoalmente – descrição e fotos não bastam. Na realidade acho que quase tudo na vida é assim. Chega um ponto que temos que sair do teórico e partir para a experiência.  

Sem duvida, que essa foi a melhor exposição que vi nesses últimos meses. É claro, que eu sou a maior fã da Maya – acho que ela é a melhor arquiteta no momento. Aliás, ela não pode ser chamada de arquiteta, pois não passou os exames de arquitetura estipulados pela lei americana. Mas de qualquer forma, ela é basicamente a única pessoa trabalhando nessa interseção entre arte e arquitetura que foi tristemente abandonada e ignorada por tantos séculos.

A única sugestão que faria a Maya é de que ela deveria ter usado madeira reciclada em suas instalações — só isso.

A exposição ficara aberta até dia 24 de outubro.

Por Vera Angelico | 0 comentários
1309/09

Mandala: o Círculo Perfeito

Rubin Museum      Mandala

Mandala: the Perfect Circle (Mandala: o Círculo Perfeito), é o titulo da mostra no Rubin Museum of Art , um museu que se dedica a preservar a arte dos Himalaias  e de suas redondezas.

Um museu bastante agradável em sua concepção de espaços para a apreciação de sua arte foi aberto em 2004 e está localizado na 150 West 17th Street. Logo na entrada, uma escada em espiral oferece um convite para explorar seus ambientes internos onde o acervo está dividido com temas diferentes. Em particular, não deixe de ver as outras salas, mas a exposição de mandalas no 5º. andar é estupefante; ou melhor, capaz de te levar a um estado de iluminação. Aliás, essa é a proposta da mandala que é um símbolo importantíssimo dentro da tradição budista, e criada como instrumento de contemplação para ser usado durante a prática de meditação com a intenção de levar o praticante a obter uma condição de iluminado.

Acredito que a maioria dos brasileiros (como eu) cresceu em uma cultura ocidental, e com pouco conhecimento do outro lado do planeta (por exemplo: Japão, Índia, China). Portanto, entrando em contato com tradições orientais me abriram muitos horizontes. O povo ocidental tem uma outra forma de interpretar o mundo e uma visão muito diferente com relação a espiritualidade.

Em várias tradições espirituais, mandalas podem ser usadas não só como uma ferramenta espiritual de ensino, mas também para estabelecer um espaço sagrado como a representação em duas dimensões numa superfície plana de um templo. A exposição mostra a foto de uma mandala que foi feita para representar um templo. E ao lado da imagem tem uma lindíssima maquete de um templo que corresponde à representação da mandala.

Como na foto acima, vários monges participam na concepção da mandala usando areia com pigmentação colorida, que pode levar dias ou semanas de trabalho árduo e minucioso. Após a conclusão desse complexo artefato, a areia é escovada e depositada num local onde tenha água corrente para espalhar as benções do mandala. Nesse ato de criação e destruição, os monges revelam um aprendizado com relação à impermanência da vida e ao desprendimento ao mundo material (um ensino central do budismo).  

Mandala: the Perfect Circle estará no Rubin Museum até dia 11 de janeiro de 2010.

Por Vera Angelico | 0 comentários

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