Arte e Arquitetura em NY
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Na categoria Museu

0408/11

Frans Hals no MET

Frans Hals, pintor holandês viveu entre 1580 e 1666 e fez muitos retratos da população afluente residente em Haarlem onde morava e que o tornaram famoso. Sem sombra de dúvida, Hals possuía uma técnica impecável e conjuntamente com um talento nato, o artista deu vida à suas telas onde seus protagonistas são vibrantes, cheios de vida, criando uma superfície de uma beleza inestimável e retratando muito bem a população burguesa dessa região.

Numa observação mais próxima, a maioria das obras do pintor holandês é de um detalhamento excepcional na área central, esvanecendo nas bordas com pinceladas largas e soltas, o que se tornou uma característica pela qual é conhecido. Sua combinação de luz, e seu estilo solto de manipular a tela com pinceladas largas foi o que o tornou anos mais tarde um artista da avant-gard. e altamente admirado pelos impressionistas que apreciavam seu estilo “inacabado”. Seus mais conhecidos admiradores foram Courbet, Monet, Manet e Vincent van Gogh.

Ao mesmo tempo Hals com o passar dos anos não foi muito bem aceito, pois os holandeses achavam suas telas “inacabadas”. Infelizmente, Hals conheceu o sucesso de perto para eventualmente esvanecer no anominato no final de sua vida.  

A exposição continuará no Metropolitan Museum of Art até dia 10 de outubro.

Por Vera Angelico | 0 comentários
0907/11

Os Desenhos de Richard Serra

Serra

Esta primeira retrospectiva de desenhos do artista contemporâneo americano Richard Serra (nascido em 1939) apresenta uma visão global de cerca de quarenta anos de sua atividade em desenho.

Através de cerca de cinquenta desenhos, a exposição apresenta a evolução do desenho de Serra desde o início dos anos 1970, quando ele trabalhou principalmente no papel com meios mais tradicionais, como tinta, e carvão. Foi somente em meados de 1970 quando ele começou a usar o paintstick preto, um lápis composto de uma mistura de pigmentos, óleo e cera. Desde então Serra vem usando paintstick em suas várias formas, criando obras com muita textura espessa em que superfícies pretas, e muito grandes em escala, enfatizam o seu interesse no processo, peso e gravidade.

Ele traça o desenvolvimento do desenho como uma forma de arte independente mas intrinsicamente ligado à sua prática escultórica. Para Serra o desenho sempre desempenhou um papel crucial na investigação de novos conceitos e novos métodos criativos e um meio de exploração de relações formais e perceptivas entre a arte o espectador e o ambiente onde é colocado.

Black, ou o preto, no entendimento de Serra, não é uma cor, mas sim um material que tem peso e responde às leis da gravidade.

Surpreendentemente, esses desenhos majestosos em sua ampla escala e palpável textura parecem mais os buracos negros que vemos na série de televisão nos programas de Cosmos.  Sua imensidão e quietude nos levam a reflexão de nossa condição humana e posicionamento no espaço. Não só no espaço da sala de exposição do museu, mas numa extensão de mundo.

Inicialmente, minha reação foi de “aqui vem Serra novamente com sua forma redutiva em duas dimensões… já não basta suas formas simplificadas em três dimensões?” Contrariamente a minha reação inicial, seus desenhos são muito mais belos do que suas esculturas trazendo uma profundidade que toca a alma.

Não perca. Até dia 28 de agosto.

Por Vera Angelico | 0 comentários
1106/11

Ai WeiWei

As 12 esculturas chamadas Circle of Animals/Zodiac Heads (Círculo de Animais/Cabeças do Zodíaco) do artista chinês Ai WeiWei na Pulitzer Fountain na frente do Plaza hotel na 59th Street e Fifth Avenue, estará no local até dia 15 de julho.

Para a maioria dos nova-iorquinos as doze cabeças de bronze fundido (cada peça pesa 365 quilos), correspondendo a Signos do Zodíaco Chinês, serão simplesmente objetos de curiosidade. Mas para aqueles que sabem da referência histórica por trás dessas imagens, a reação será muito diferente.

Elas são baseadas em um conjunto de esculturas semelhantes, que enfeitavam uma fonte no palácio imperial chamado Yuanming Yuan perto de Pequim no século 18. Em 1860, soldados franceses e britânicos incendiaram o palácio e levaram as cabeças, num ato que até hoje provoca indignação na China e um exemplo de humilhação colonialista do Ocidente.

Desde então apenas algumas foram devolvidas e a busca do restante dos objetos tornou-se uma missão nacionalista no país. Em 2009 quando duas peças foram colocados à venda na Christie’s, fazendo parte do espólio de Yves Saint Laurent, houve uma enorme manifestação de protesto em toda nação.

Não é surpresa então de que quando Ai WeiWei estava pronto para vir a Nova York para a estréia de suas esculturas, o governo o prendeu e por muito tempo ninguém soube onde WeiWei se encontrava.

Questionamos dessa forma do significado desse ato do artista expondo essas peças que iconicamente são imersas num simbolismo que vai muito além de sua forma inocente.

Por Vera Angelico | 0 comentários
0406/11

Quantas notas de um dólar cabem em cem mil dólares?

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O artista alemão Hans-Peter Feldmann cobriu todas as paredes do 2º. andar (Tower Gallery) do Guggenheim com fileiras e mais fileiras de notas de um dólar.. Até as duas colunas no meio da sala foram cobertas com dinheiro. As notas são todas colocadas e sobrepostas como se fossem telhas do telhado de uma casa. E não são notas novas não! Algumas até com escrita e tem até uma nota com a cara de Washington pintada de vermelho. Levou duas semanas para o artista com seus ajudantes grampearem todas essas notas na parede.   

Feldmann ganhou um prêmio chamado Hugo Boss Prize no ano passado e decidiu exibir seu prêmio que foi US$100.000,00 (cem mil dólares) transformando tudo em notas de um –extravagância de artista famoso!

De acordo com afirmações feitas pelo artista, sua intenção para essa exibição é de nos levar a refletir no valor da obra de arte; pois o dinheiro exposto na parede não tem um valor intrínseco, e é dependente da importância que a sociedade lhe dá.  

De certa forma uma proposta significativa e relevante ao dia de hoje. O que me incomoda nesse cenário de arte atual é a falta de uma maior sensibilidade na expressão que leva o artista a fazer a obra!

A grana ficará exposta até dia 2 de novembro.

Por Vera Angelico | 0 comentários
0206/11

Antony Caro no MET

Caro

O escultor Britânico nascido em 1924 vem fazendo esculturas por mais de sessenta anos.

Todos os objetos são feitos de aço e pintados em cores diferentes. São cinco peças com a mais recente feita em 2010 e a mais antiga em 1968. Ele foi aluno do famoso escultor inglês Henry Moore nos anos 1950. Caro é considerado um artista muito importante e já foi até nomeado cavaleiro pela rainha Elizabeth em 1987.  

O espaço para suas obras, o telhado do Metropolitan Museum, é um lugar maravilhoso com uma vista estupenda da cidade o que ajuda muito na exibição dessas peças desprovidas de qualquer espírito artístico mais profundo do que a manipulação de formas geométricas.

Até dia 30 de outubro.

Por Vera Angelico | 0 comentários
0712/10

OnLine

OnLine

Um desenvolvimento da arte de desenhar dos últimos 100 anos. Nessa exiblição On Line: Drawing Through the Twentieth Century, o MoMA sem dúvida rompeu as barreiras ao que é classicamente conhecido como desenho. Desde a famosa guitarra de Picasso feita em 1923 de papelão, ou uma tela no teto projetando Loie Fuller, uma americana morando em Paris, dançando vigorosamente e balançando suas longas mangas do vestido, os curadores nos desafiam a uma nova interpretação do que consideramos ser o desenho.

Logo no saguão de entrada, vemos uma escultura/instalação pendurada no teto da artista indiana, Ranjani Shettar. Uma rede com uma porção de bolinhas penduradas, a malha se extende por todo saguão com alturas diferentes, parecendo mais um desenho no espaço em 3 dimensões.

 Acredito na necessidade de re-pensar, e rever padrões pré estabelecidos; por outro lado,  essa “empurrada de limites” que os curadores tentam fazer nessa mostra, nos traz para um modelo modernista em vez de nos localizar no tempo e espaço de século 21. Para mim, essa mostra é uma excelente retrospectiva do período modernista num contexto global. E triste de ver que mesmo os artistas contemporâneos trabalham ainda num contexto dos moldes antigos do começo do século passado. Parece que quanto mais se quer mudar, menos se muda.

A exposição se encerra no dia 7 de fevereiro.

Por Vera Angelico | 1 comentário
2209/10

Sukkah City

sukkah

Pesquisando na wikipedia: Sucot (do hebraico ????? ou ??????? sukk?t, cabanas) é um festival judaico também conhecido como Festa dos Tabernáculos ou Festa das Cabanas ou, ainda, festa das colheitas visto que conincide com a estação das colheitas em Israel, no começo do Outono. É uma das três maiores festas, conhecidas como Shalosh Regalim, onde o povo de Israel peregrinava para o Templo de Jerusalém.

O Sucot relembra os 40 anos de êxodo dos judeus no deserto após a sua saída do Egito. Nesse período o povo judeu não tinha terra própria, eram nômades e viviam em pequenas tendas ou cabanas frágeis e temporárias. Como forma de simbolizar este período, durante a celebração de Sucot, os judeus deixam as suas casas e se abrigam sob folhas e galhos ao ar livre, simbolizando a sucá.

A sucá deve ser erguida ao ar livre e deve ser constituída de palha ou folhagem, que possibilita ver-se o céu. Deve ter pelo menos 3 paredes as quais não devem estar pregadas ao teto. É uma estrutura efêmera erigida por uma semana, onde é habitual compartilhar refeições.

A função religiosa da sucá é homenagear as estruturas temporárias usadas durante o êxodo de Egito. É também uma abordagem sobre idéias universais de transitoriedade e permanência expressados em arquitetura. A sucá é uma forma de entender a falta de moradia, enquanto que ao mesmo tempo permanecendo profundamente enraizado na tradição. Chama-nos para reconhecer o passar das estações, religar com um passado agrícola, e para lembrarmos o caráter temporal e impermanente da vida.

Sukkah City é uma competição internacional com a intenção de re-imaginar ou re-inventar uma forma antiga. Os esquemas ganhadores e muitas das entradas desenvolvem novos métodos de prática de material e propõe possibilidades radicais para limitações tradicionais de projeto na vida urbana contemporânea.

Foram 624 submissões de 43 países, e doze finalistas foram selecionados. Por dois dias, essas estruturas foram construídas insinuando uma pequena aldeia no Union Square.  

Como sempre umas construções melhores do que outras… e novamente como sempre, algumas sucás com aparência muito melhor no papel do que na realidade. Hoje em dia somos “vendidos” pela aparência glamorosa dos belíssimos desenhos computadorizados nos esquecendo de que na vida real essa aparência glamorosa toma um contexto muito diferente.

Por Vera Angelico | 1 comentário
1807/10

Uma lágrima no limiar dos tempos

Taj Mahal

Uma lágrima no limiar dos tempos… foi como o poeta indiano Rabindranath Tagore descreveu o Taj Mahal, que significa a Coroa de Mahal. Assim sendo, depois de passar quase três semanas na India e ter visto esse maravilhoso monumento a única que posso fazer é compartilhar com vocês essa experiência magnífica que é esse enorme mausoléu dedicado ao amor.

Percebi um fator interessante quando vi o Taj Mahal em pessoa. O Taj é uma das poucas estruturas arquitetônicas que se parece muito com as fotos que vi em livros – o que é um fato raro. É extremamente difícil encontrar representações gráficas que justifiquem a ausência da presença física. Em geral, critico aqueles que se baseiam nas fotos para opinionar sobre prédios famosos sem nunca o terem visitado. Acredito o Taj ser o primeiro exemplo de uma arquitetura que é muito fotogênica!

Imagine que sua grande cúpula que domina visualmete o complexo dizem ser costurada com fios de ouro – será que é verdade?

Então aqui vai um pouquinho do histórico do lugar — o Taj Mahal é um mausoléu situado em Agra, uma cidade da Índia localizada quatro horas de trem da capital, Nova Deli. Este enorme edifício rematado com cúpulas foi construído em estilo indo-islâmico, onde se usou mármore branco e gemas incrustadas.  

A obra foi feita entre 1630 e 1652 com a força de cerca de 20 mil homens, trazidos de várias cidades do Oriente, para trabalhar no sumptuoso monumento que o imperador Shah Jahan mandou construir em memória de sua esposa favorita, a quem chamava de Mumtaz Mahal , A jóia do palácio. Ela morreu após dar à luz o 14º filho, tendo o Taj Mahal sido construído sobre seu túmulo, junto ao rio Yamuna.

Assim, o Taj Mahal é também conhecido como a maior prova de amor do mundo, contendo inscrições retiradas do Corão. É incrustado com pedras semipreciosas, tais como o lápis-lazúli entre outras.  Supõe-se que o imperador pretendesse fazer para ele próprio uma réplica do Taj Mahal original na outra margem do rio, em mármore preto, mas acabou deposto antes do início das obras por um de seus filhos.

Darwaza

A entrada principal, a “darwaza”, é um edifício monumental construído também em pedra vermelha.  As suas arcadas repetem as formas do mausoléu, e incorporam a mesma caligrafia decorativa. Se utilizam decorações florais em baixo-relevo e incrustações. As paredes e os tetos abobadado apresentam elaborados desenhos geométricos, similares aos que existem em outros edifícios do complexo. Originalmente a entrada fechava-se com duas grandes portas de prata, que foram desmontadas e fundidas em 1764.

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0506/10

Martin Creed

Martin CreedMartinCreed

A galeria Gavin Brown’s enterprise  (GBE) apresenta uma exposição do inglês Martin Creed inaugurando o espaço recém renovado.

Nessa exposição, Creed criou uma instalação titulada Work No. 1051, refazendo o chão da galeria com um arranjo de mais de 100 tipos de mármores em listras de cores e texturas variadas. As paredes estão vazias e o foco do trabalho são as listras. A intenção de Martin é provar a tese de que “trabalhos devem ter espaço para incluir as pessoas.” Sem dúvida de que com a galeria totalmente vazia há espaço de sobra para os visitantes… 

O trabalho de Martin é em geral classificado de minimalista pelos críticos de arte. Sua ascensão a fama ocorreu em 2001 quando ganhou o Turner Prize , o cobiçado e prestigioso prêmio que dão anualmente a artistas ingleses.

Eu como arquiteta não consigo deixar de pensar de que essa instalação seria uma excelente pedida para um showroom de vendedores de pisos de mármore. Então se alguém está procurando alternativas para pisos, esse trabalho vem a calhar!

A instalação encerrará no dia 19 de junho. Poderiam deixar com o piso como está — por que não?

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2605/10

MET está ainda mais alto com esse casal de gêmeos na cobertura

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Convidados pelo Metropolitan Museum of Art para criar uma instalação para sua cobiçada cobertura, os gêmeos Mike e Doug Starn (nascido em Nova Jersey em 1961) apresentam seu novo trabalho, Big Bambú: You Can’t, You Don’t, and You Won’t Stop (Bambú Grande:  Você Não Pode, Você não Faz, e Você não Para).

A estrutura monumental de bambu — medindo 30 metros (100 pés) de comprimento, 15 metros (50 pés) de largura e de altura — toma a forma da crista de uma onda e ultrapassa ser categorizado como escultura, arquitetura, ou mesmo performance. Os visitantes testemunham a criação continuada e o desenvolvimento dessa instalação. Sua construção continuará até o final de agosto (o verão daqui) e está sendo erguido por uma  equipe de artistas e de alpinistas. Com o Central Park com seu pano de fundo urbano, Bambú Grande sugere a complexidade e energia de um organismo de vida em constante mutação.  

Bambú grande é uma crescente e vasta rede variável de 5,000 bambus encaixados e variando de 9 a 12 metros (30 a 40 pés) de comprimento, amarrados com 80 km (50 milhas — é muita corda!) de corda de nylon. Continuará a ser construído durante toda a duração da exposição. Os artistas e alpinistas estão construindo a porção do lado leste do museu que já está com 15 metros (50 pés). Até o final de agosto, é esperado que o lado oeste da escultura terá aproximadamente 40 pés de altura. Um sistema interno de trilhas está sendo desenvolvido junto com a estrutura, facilitando seu progresso.   

Doug Starn declara: “A razão que nós tivemos que fazer esa instalação tão grande é para nos fazer sentir pequeno – ou ao menos nos acordar ao fato de que individualmente não somos tão grandes. Uma vez que estamos conscientes de nossa verdadeira estatura podemos sentir uma parte de algo muito mais vasto que nós jamais poderiamos ter sonhado”.

O trabalho personificará uma natureza contraditória: está completo, mas é sempre inacabado. Trabalhar na escultura enquanto a exposição está aberta ao público, os artistas e as equipes de alpinistas (seis a vinte que estarão presentes durante fases diferentes do projeto) fornecerão visitantes uma oportunidade rara de experenciar esse trabalho enquanto se desvela.

“É uma estrutura temporária, mas também é uma escultura—não uma escultura estática, é um organismo do qual nós fazemos parte ajudando a mexer junto,” disse Mike Starn. “Construiremos uma vista diagramática de uma onda constantemente em movimento—nosso crescimento e mudança permanece invariável, é constante e inalterado”.

Por Vera Angelico | 0 comentários
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