Arte e Arquitetura em NY
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Na categoria Arquitetura

1501/10

Hélio Oiticica em NY

Hélio Oiticica

Em tributo ao incêndio em outubro do ano passado no Rio que destruiu quase todo o acervo do artista plástico Hélio Oiticica (1937-1980), a galeria Lelong que é sua representante nos EUA, está com uma mostra de seus trabalhos entre 1954 e 1958. Período importante na carreira do artista.

Em 1953, Oiticica começou a estudar pintura com Ivan Serpa, após tomar contato com a obra de Paul Klee, Alexander Calder, Piet Mondrian e Pablo Picasso durante a segunda Bienal de Arte Moderna de São Paulo. Em 1954, entrou para o Grupo Frente e junto fez a sua primeira exposição no Museu de Arte Moderna. Nessa época, Oiticica começou a conviver com artistas e críticos, como Lygia Clark, Ferreira Gullar e Mário Pedrosa. Sua obra desse período, entre 1955 e 1957, são pinturas geométricas sob guache e cartão, que resultou em 27 trabalhos nessa técnica, intitulados Secos, que foram expostos no Rio de Janeiro, na Exposição Nacional de Arte Concreta.

Os desenhos na exposição são geométricos e pode-se inclusive sentir Hélio tentando abstrair a essência dos objetos no espaço desenhado. Acredito essa fase ter sido um acesso para suas instalações ambientais que viriam a seguir – Parangolé e a Tropicália que inspirou e deu nome ao movimento cultural brasileiro que revolucionou a música, o cinema, o design, a moda e as artes do país nos anos 70.  

Em setembro de 1971, logo após mudar-se para Nova York, Hélio declarou aos jornais cariocas:

“Se há gente interessada em minha obra anterior, melhor, mas não vou expô-la ou ficar repetindo ad infinitum as mesmas coisas; não estou aqui para fazer retrospectivas, como um artista acabado; estou no início de algo maior; quem não entender que se dane; procurem-se informar melhor e respeitar idéias e trabalho feito.”

E foi sempre assim com Hélio. Muito na dele, fez seu trabalho bem feito e deixou um legado incrível após uma morte precoce e cruel.

Hélio Oiticica: Drawings, 1954-58 irá até dia 6 de fevereiro na Galerie Lelong.

Por Vera Angelico | 0 comentários
2912/09

40 Mercer Street

40 Mercer

Andre Balazs foi o construtor do novo projeto residencial no distrito de SoHo em Manhattan. O arquiteto francês Jean Nouvel, projetou uma estrutura de 15 andares, com 40 apartamentos de luxo ( alguns apartamentos tem até piscina), academia, e espaço para lojas no andar térreo.

O arranha-céu localizado entre Mercer e Broadway encaixa bem nesse distrito composto basicamente de prédios feitos com ferro fundido. Nouvel foi atento a esse fato e criou uma fachada que endereça aos detalhes industriais do bairro.

SoHo vangloria-se pela maior coleção de arquitetura de ferro fundido no mundo. Aproximadamente 250 edifícios de ferro fundido ficam em Nova York e a maioria deles estão no SoHo. O ferro fundido inicialmente foi usado como uma frente decorativa sobre um edifício. Com a adição de fachadas decorativas modernas, edifícios industriais mais velhos podiam atrair novos clientes comerciais. A maioria destas fachadas foi construída durante o período de 1840 a 1880.  Dizem que se andarmos no Soho com um ímã, dá para ver que quase todas as edificações são de ferro.

Conforme comentei no blog de 23 de novembro a respeito do novo projeto de Nouvel em Chelsea, o arquiteto ficou famoso com seu L’Institut du Monde Arabe em Paris em 1988. Achei esse projeto muito mais bem bolado e bem colocado dentro do contexto da área, do que sua mais nova criação no Chelsea.

Vale à pena dar uma olhada.

O custo desse projeto foi de $83 milhões de dólares.

Por Vera Angelico | 0 comentários
2312/09

Lynda Benglis: a artista feminista

Lynda Benglis

Lynda Benglis entrou no cenário artístico de Nova York no final dos anos sessenta e fez fama derramando látex em telas no chão. O principal tema de seu trabalho é a exploração da sexualidade feminina. Essencialmente, Lynda é uma feminista.

Mas sua ascensão a fama realmente aconteceu quando em 1974 ela soube que iria ter uma revisão de seu trabalho na revista Artforum. Daí ela comprou um anúncio de duas páginas que na época custou aproximadamente $3.000. Nessas páginas ela se colocou nu com exceção de óculos escuros, segurando um dildo enorme (pênis de plástico) entre as pernas. Ela revolucionou o mundo da arte com aquela foto. Foi uma maneira dela rebelar contra o mundo da arte machista que oferece poucas possibilidades para as mulheres. Os críticos de arte ficaram horrorizados com a publicação da foto. A célebre crítica de arte Rosalind Krauss comentou da divulgação da foto: “Um objeto de grosseria extrema – não o primeiro na história da revista, mas representa um salto qualitativo nesse gênero, brutalizando nossos leitores.”

Assim até hoje, o nome de Lynda Benglis ficou intensamente ligado a esse fato. No entanto, nada disso aparece nessa mostra, mas como dizemos… fez fama, deitou na cama. Atualmente, Lynda faz um trabalho muito mais conservador e não senti a preocupação dela estar procurando uma voz liberadora em suas esculturas como fez no passado.   

Até dia 2 de janeiro de 2010 na Cheim and Read em Chelsea.

 

 

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1912/09

Velásquez Redescoberto

Velásquez

Velásquez rediscovered, é o nome da exposição de Velásquez no Metropolitan Museum of Art (MET). Uma sala pequena onde somente alguns quadros do artista estão expostos com uma extensa explicação do processo que levou a grande descoberta do quadro do mestre.   

De acordo com o catálogo do museu, inicialmente pensaram que a tela fosse autoria de Van Dyck, depois da oficina de Velásquez e agora finalmente estão certos de que se trata de um autêntico Velásquez.

A melhor parte é que temos a oportunidade de realmente apreciar esse quadro; de um lado da tela restaurada, tem o famoso escravo descendente de mouros executado pelo artista Juan de Pareja, (infelizmente não pude tirar foto do quadro) e do outro lado um quadro pintado pela oficina de Velásquez que tenta em vão imitar com grande esforço o que mestre Velásquez fez com tanta facilidade.

Como dizem por aqui, a sensação é refreshing = refrescante de poder ir a um museu enorme como o MET e não se sentir saturada em termos visuais com aquelas exibições ostentosas com tantos trabalhos que saímos de lá meio tontos. Essa mostra é bem mais modesta dando tempo para realmente degustar as telas expostas.

Até dia 7 de fevereiro de 2010.

Por Vera Angelico | 0 comentários
1512/09

Flatiron Building: ferro de passar de Nova York

 Flatiron Building

Quando foi terminado em 1902, o Flatiron Building em Nova York era o mais alto da cidade. O Flatiron Building está localizado na 5ª Avenida com a Broadway, e é considerado um dos primeiros arranha-céus construído em Nova York. Sob sua conclusão em 1902 era um dos edifícios mais altos da cidade.

O prédio situa-se num bloco triangular e foi projetado pelo arquiteto Daniel Burnham de Chicago no estilo Beaux-Artes. O estilo arquitetônico Beaux-Arts, originado da Escola de Belas Artes de Paris, combina influências gregas e romanas com idéias renascentistas. É um estilo muito ornamentado, com muitas colunas, flores, estátuas, etc.

O formato do edifício é sem duvida devido ao contorno do lote, e o nome Flatiron, vem do ferro de passar pois tem o mesmo formato.

Fato curioso — devido ao ângulo utilizado no projeto, quanto está ventando muito em volta do prédio, o vento causa o efeito “Marilyn Monroe,” levantando as saias das mulheres passando, atraindo muitos homens ao local. É claro, que isso foi sucesso há mais de cem anos atrás. Ridículo para os dias de hoje!

Sem dúvida, o Flatiron é um dos meus favoritos da “cidade que nunca dorme.”

Por Vera Angelico | 1 comentário
1112/09

Lever House se veste no estilo vitoriano

Lever House

Se você estive passeando pela Park Avenue e passar em frente da Lever House que fica entre a 53 e a 54, verá que todas as colunas estão cobertas com um desenho diferente. Até o chão dentro do lobby do prédio está com algumas partes cobertas com desenhos de padrões diferentes.

A Lever House foi construído em 1952 como sede para a Lever Company, a indústria de sabonetes e de detergente, e este edifício de escritório de 24 andares foi o primeiro feito todo de vidro e aço inoxidável na Park Avenue.  Um projeto do arquiteto Gordon Bunshaft, cuja intenção era de projetar um edifício que transmitisse uma imagem de limpeza e o espírito de modernidade prevalente na época.  

Dentro dos padrões modernistas do momento, o prédio foi colocado sobre pilotis, criando um grande saguão com um pátio adjacente aberto ao público.  Por volta de 1990, o edifício foi renovado e um jardim de escultura com trabalhos do artista Isamu Naguchi foi adicionado. O saguão do prédio foi remodelado para incluir um espaço público de arte apresentando exposições de arte contemporânea.

O trabalho que está lá agora é do artista inglês Richard Woods. Ele usou os motivos das famosas tapeçarias de William Morris, o inglês da era vitoriana, para criar um contraste com as linhas modernas da edificação.

Você poderá ver as “colunas embrulhadas” até dia 15 de janeiro de 2010.

A escultura do gatinho com lacinho na cabeça é do artista Tom Sachs chamada “Wind-Up Hello Kitty (2008).” É feita de bronze e depois pintada de branco. Essa ficará por lá por algum tempo.

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0712/09

Rockefeller Center está pronto para receber Papai Noel

Rockefeller Center Xmas

Não me canso de dizer que a cidade se transforma para as festividades de fim de ano. Outro dia, fui ao Rockefeller Center para dar uma olhada nas decorações de Natal. Está tudo tão lindo — parece até meio mágico. Fiquei encantada. 

Saks Fifth Avenue Xmas Window

Uma mostra da vitrine da Saks Fifth Avenue que fica do outro lado da rua. Todo ano a loja faz uma decoração super bem elaborada para o final de ano. Vá com paciência pois tem uma fila enorme para ver tudo de perto.

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0512/09

Teresita Fernández tenta agitar seu trabalho usando chumbinhos

Teresita Fernández

Estou muito interessada na nova tecnologia de nanotubos de carbono, então quando li a respeito dessa instalação toda feita de grafite, ou chumbo (que é um derivado do carbono) fui rapidinho dar uma olhada na galeria em Chelsea. No entanto para minha decepção não tem nada a ver com meu interesse em nanotecnologia.

Teresita Fernández , nasceu em 1968 em Miami e atualmente mora no Brooklyn. Para essa exibição, Teresita moldou milhares (sem exagero) de chumbinhos e colocou nas paredes da galeria, num formato ondulado imitando as ondas do mar. Ela enfatizou as marcas de sombra que os objetos modelados formam com um borrão de lápis dando um aspecto meio surreal ao contexto geral da exposição.  

Achei a exibição “bem comportada” e sem trazer nada de novo nesse mercado saturado com uma atitude de vale tudo.

A instalação ficará na Lehmann Maupin até dia 19 de dezembro.

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0212/09

Bryant Park se transforma para o inverno

Bryant Park

Mesmo se você não souber patinar (como eu) não deixe de ir dar uma passeada no Bryant Park. Compare com o blog que fiz no verão (13 de agosto) e veja a transformação.

Com a chegada do Natal, o parque fica muito festivo e alegre. Várias lojinhas foram montadas ao redor do grande centro de patinação e tem muita coisa para comprar. De roupa de nenê até pipoca para provar, você acha por lá.

Por Vera Angelico | 0 comentários
2911/09

David Hockney: fez a fama e deitou na cama

hockney

O famoso pintor inglês David Hockney que já está com 72 anos, é claramente um dos casos típicos de alguém que fez a fama e deitou na cama. Expressão tipicamente brasileira que indica a condição dessa exibição no Chelsea.

Não pude tirar fotos, pois a galeria não deixou, mas coloquei acima uma imagem tirada do flickr.com onde deixam a gente publicar algumas fotos. O pintor inglês é muito famoso com suas pinturas de “Swimming Pool” (Piscina), nas quais trabalhou por muito tempo. Hockney fez parte integral do grupo de artistas em Londres dos anos 60, se tornado assim um símbolo cultural da época, muitas vezes retratando abertamente sua homossexualidade, ilegal naquele período na Inglaterra. Na realidade, um de seus quadros foi vendido há alguns meses atrás por $7.9 milhões de dólares. Daí dá para se ter uma noção da popularidade desse artista.

Já fazia algum tempo que ele não mostrava seu trabalho e essa mostra foi antecipadamente esperada por vários críticos. Com 14 telas em óleo, a galeria apresenta enormes paisagens do lugar onde Hockney atualmente mora na Inglaterra.

A conhecida crítica de arte do New York Times, Roberta Smith, uma vez alegou de que é “difícil de resistir o trabalho de Hockney ou mesmo de levá-lo a sério, pois ele somente toca a superfície da obra de arte, emprestando liberalmente de mestres anteriores.”

Com essa fama toda ele faz o que quiser em seu trabalho artístico. No entanto, essas telas enormes com cores fortes e grandes formas geométricas, são por um lado extremamente atraente o que pode ser enganador de primeira vista. Numa segunda análise, o trabalho parece que desmorona em seu próprio peso das cores fortes e formas abundantes.

Passei uns minutos olhando para um quadro, e foi muito interessante – ele cansa. As figuras geométricas tão familiares – círculo, cubo, retângulo – após alguns minutos não “dizem” mais nada além do fato de que são facilmente compreensíveis. Evento muito parecido com a condição na qual vivemos hoje em dia onde experiências necessitam ser intensas, pois estamos perdendo a possibilidade de perceber a sutileza dos eventos comuns do cotidiano. Visualmente as imagens têm que ser forte e quase chocante para nos tocar e passamos despercebidos da grandeza do dia-a-dia. Vivemos num momento que solicita fortes emoções beirando o ostentoso, pois estamos nos tornando insensíveis a sutiliza do belo e do sublime.

Os quadros estarão na Pace Wildenstein em Chelsea até dia 24 de dezembro.

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