Arte e Arquitetura em NY
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2110/09

Dia Beacon: quando você quiser ir um pouco mais longe

Dia:Beacon

Não muito longe de Nova York, tem um museu de arte contemporânea muito legal chamado Dia: Beacon. Fica nas margens to Hudson River e, portanto a viagem de trem até lá é muito agradável. Ainda mais nessa época do ano quando as árvores estão mudando de cor – um espetáculo visual.

O prédio foi construído em 1929 para ser uma fábrica de impressão e foi renovado em 2003, e com seus 24.000 metros quadrados oferece um espaço ideal para as enormes instalações de artistas como Sol LeWitt, James Turrell e Richard Serra.

DIA Beacon

O museu inteiro é assim – -bem iluminado com luz natural e amplo!

DIA Beacon

E um lugar perfeito para as instalações de James Turrell.

Richard Serra

Ou as esculturas imensas de Richard Serra.

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1510/09

Maelstrom: Turbilhão

Roxy Paine

Roxy Paine, um artista americano, criou uma escultura de 40 metros de comprimento por 14 metros de altura, feita com 10.000 pedaços de aço inoxidável e que pesa mais de sete toneladas. O nome da peça é Maelstrom (Turbilhão), e está no teto do Metropolitan Museum of Art. Um crítico de arte se referiu a Paine como o rei de Midas com o toque mágico – só que com aço inoxidável em vez de ouro!

Maelstrom (2009) é maior e o mais ambicioso trabalho do artista até hoje. Para essa escultura, Paine disse que baseou-se no sistema de rede dos vasos sanguíneos, e tubos de encanamento industrial. Na realidade, a escultura parece uma árvore que foi derrubada num dia de uma grande tempestade.  Chegando mais perto de Maelstrom, vocè verá que o escultor deixou as juntas soldadas do conjunto inacabadas, o que realça de certo forma a tensão entre o aspecto natural e artificial do mundo em que vivemos — um toque muito interessante.

A escultura colocada tem como fundo o Central Park e seu cenário arquitetônico, o que faz a instalação interagir com o meio ambiente de uma forma que não consigo imaginá-la em nenhum outro contexto.

O que “salva”, ou melhor, o que ajuda muito essa escultura é sem dúvida a paisagem do parque com os prédios de Nova York. Um final de tarde com o por de sol então, é a pedida certa para ver essa instalação. No dia que estive lá, um gavião ignorando a multidão, pousou num dos troncos da árvore de aço – foi um show total.

Outra coisa – cuidado para não tropeçar e cair no meio dos “galhos.”

Até dia 25 de outubro.

Por Vera Angelico | 0 comentários
1310/09

Música toda 4a. feira

St Bartholomew Church

Saindo um pouco do tradicional blog sobre arte e arquitetura, aqui vai uma dica para os amantes da música. Se você estiver por volta da Park Avenue com a 51th Street na quarta feira às 13:15 não perca o concerto que tem na igreja de St. Bartholomew Church.

Não se esqueça: toda 4ª. feira às 13h15min. e com um repertório bastante variado. Semana passada um cravista italiano tocou o instrumento medieval cravo, ou também conhecido como Cembalo, Clavicenbalo (italiano), Harpsichord (inglês), e Clavecin (francês).

Muito lindo — a igreja e a música juntos dão um tom mágico à sua visita. E quando sair do concerto tem um restaurante muito gostoso do lado da igreja.

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1210/09

O’Keeffe: além das flores e paisagens

Georgia O'Keeffe

Com mais de 130 obras expostas no Whitney Museum of Art, Georgia O’Keeffe, é a maior sensação do momento, conjuntamente com o Metropolitan Museum of Art e a exposição de Vermeer (se quiser dê uma olhada no blog de 10 de outubro).  Muitos criticam seu trabalho como kitsch e comercial, parecendo decoração para papel de parede. No entanto, outros como a curadora do museu acha que essencialmente, O’Keeffe, foi uma artista abstrata. E é essa a ênfase da exibição. A maioria dos trabalhos na mostra são os abstratos que por muito tempo caracterizaram a arte de O’Keeffe. O que é surpresa para muitos, pois a opinião geral é de que a artista pintou apenas flores e paisagens.

“Queremos argumentar que Geórgia O’Keeffe criou um corpo de trabalho abstrato fantasticamente radical, e que estava a frente da maioria de conceitos de vanguarda da época,”disse a curadora do museu.  

Em 1916, sem O’Keeffe saber, uma amiga da artista mandou seus desenhos em carvão, ao então famoso fotógrafo Alfred Stieglitz, que tinha uma galeria de arte em Nova York. Ele gostou tanto de seu trabalho que fez uma exposição exclusiva para ela e tornando assim O’Keeffe famosa.  Na exposição tem algumas das fotos que em 1921 Stieglitz tirou de O’Keeffe.

Sem dúvida, de que O’Keeffe foi uma vanguardista em muitos aspectos. Suas abstrações mostram uma vitalidade e audácia inédita nesse período. O uso das cores e as formas abstratas não viriam à tona até mais tarde com Barnett Newman e Mark Rothko, os grandes mestres do expressionismo abstrato.

Georgia O’Keeffe: Abstraction vai até dia 17 de janeiro de 2010.

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1010/09

Obra prima de Vermeer no MET

http://www.flickr.com/photos/seamlesswhole/ / CC BY-NC-ND 2.0

 Vermeer

 Uma faladíssima exposição do quadro mais famoso de Johannes Vermeer está no Metropolitan Museum of Art (MET). Vermeer’s Masterpiece: The Milkmaid é o nome da mostra. Dizem ser essa tela a obra prima da curta carreira de Vermeer que morreu aos 43 anos em 1675 na cidade de Delft, na Holanda. Na realidade, ele só pintou 36 quadros enquanto vivo.

A razão da mostra é para celebrar os 400 anos da chegada do holandês Henry Hudson à ilha de Mannahata em 1609. O MET possui cinco das telas de Vermeer e elas estão presentes nessa exibição.

Quando essa pintura foi feita, em 1657, milkmaids tinham a reputação de serem ‘sexualmente disponíveis,’ e o quadro realça essa intenção com vários símbolos. Por exemplo, no rodapé do lado direito num dos azulejos, vê-se claramente o sugestivo desenho de um cupido.      

“O que temos aqui é uma empregada que é tratada de forma digna e heróica”, diz Walter Liedtke, curador do MET de pinturas européias, que organizou esta mostra, “e essa tela evoca uma domesticidade quieta e obediente.”  

Vermeer não teve uma formação acadêmica e aprendeu a pintar observando as obras dos grandes mestres.  Liedtke define essa obra como “seu primeiro trabalho maduro”. A Milkmaid feita em 1657-58, mede somente 45 por 41 cm e mostra as características de luz e sombra que tornou Vermeer tão conhecido. Vermeer tinha um jeito especial de criar uma atmosfera de luz e sombra, e enche esta pintura com o brilho da luz vindo de uma janela (note que o vidro da janela está quebrado). Essa tela revela também a perícia técnica do jovem artista que na época estava apenas com 25 anos de idade.

Suas obras tendem a “hipnotizar o espectador, independentemente do que eles sabem sobre o assunto”, diz o curador da mostra. Existe uma relação semi- voyerista entre espectadores e esta jovem mulher, e a composição triangular da figura mostra uma sofisticação artística por parte do pintor.

Visto de um ângulo baixo em toda a sala, como se por um observador oculto, a milkmaid de Vermeer é um trabalho fascinante- uma heroína perdida em um sonho. O avental azul sob sua saia vermelha, o leite brilhante derramando de suas mãos, a luz sutil da janela ao lado dela criando uma atmosfera de sensualidade que de certa forma entra em discordância com a banalidade da cena. Afinal, ela é apenas uma ajudante doméstica preparando a refeição matinal.

Nessa fase de quanto maior melhor – é bom ver uma exposição mais modesta, e onde a qualidade foi mais importante do que a quantidade. Como eles dizem por aqui – refreshing (refrescante)! Mas se você quiser ver mais Vermeers vá até o Frick Collection pertinho do MET, pois eles têm mais três telas do artista.

Até dia 29 de novembro.

Por Vera Angelico | 0 comentários
0810/09

As silhuetas de Kara Walker

Kara Walker

Continuando nossas andanças pelas ruas de Chelsea, vá ver as silhuetas de Kara Walker que são muito famosas. Lembram um pouco dos anúncios da Apple para seus produtos – já viu?

Sua exposição está na Sikkema Jenkins & Co. na 22nd Street onde ela aborda sem medo um de seus temas principais —  racismo. As figuras cortadas em papel preto com fundo branco (todo mundo é preto em suas instalações, interessante não?) e aplicadas diretamente nas paredes do local de exibição fazem forte referência a opressão, e sexualidade. 

Suas imagens revelam visivelmente o sofrimento que a segregação de raças provocou e ainda está causando entre povos e países. Seus cutouts compõem uma narrativa que mostra a violência e questiona a posição da mulher, em especial da mulher preta americana. Nada escapa a Kara – ela explora de forma muito elegante a questão da desigualdade social, tão aparente e tratada com tamanha covardia nesse país e afora.

Até dia 17 de outubro.

Por Vera Angelico | 0 comentários
0410/09

Carole Feuerman

 Carole Feuerman

Outra exibição no Chelsea que deixa muito a desejar.

Carole Feuerman: Swimmers, Bathers, Nudes na Jim Kempner Fine Art. Se você estiver procurando alguém que seja bom na habilidade do material usado, então sem dúvida que a Carole é uma artista excelente. Ela realmente sabe manipular o material que usa, e seu trabalho convence. Por outro lado, eu me pergunto – - a arte ‘verdadeira’ deveria ir muito alem disso, não? Dexteridade e habilidade somente não bastam, não é verdade?

Pelo menos, essa é minha opinião. Com duas figuras logo na entrada da galeria num pequeno pátio ao ar livre (um dos poucos na cidade), a artista expõe duas figuras de mulheres. A que está de pé, Tree, 2009, mede quase 1,5 metros de altura, e a maior chamada The Survival of Serena (White Cap), 2009, mede quase 2 metros de altura. E se você entrar na galeria tem mais figuras lá dentro.

O melhor dessa visita ainda é a galeria. Localizada na 23rd Street é muito agradável e bem projetada com sua entrada de vidro e aço corten ( um aço com alto teor de cobre que adquire uma cor avermelhada com o tempo).

Até dia 31 de outubro.

Por Vera Angelico | 2 comentários
3009/09

Às voltas nas galerias de Chelsea: Maya Lin

Maya Lin

Conforme dizem por aqui quando a coisa é muito boa – Run Don’t Walk (Corra, não Ande) para ver essa mostra. Maya Lin em Chelsea onde esta fazendo uma exibição maravilhosa onde ela apresenta um trabalho que revela o surpreendente interstício entre arquitetura e arte. Nessa época que vivemos onde vale tudo e qualquer tipo de arte é considerado como revelante, encontrar alguém que está consistentemente fazendo um bom trabalho está bem difícil. Especialmente nas galerias do Chelsea que é o lugar onde tradicionalmente se deveria encontra bons artistas, mas infelizmente o espírito do vale tudo prevalece.

Maya Lin: Three Ways of Looking at the Earth (Três Maneiras de Olhar a Terra ou Mundo) na PaceWildenstein nos convida a olhar a paisagem a nossa volta de uma outra maneira. Usando métodos tecnológicos mais avançados (fotografias tiradas de satélite, radar de cartografia e sonar) ela estuda o mundo natural e traduz essa informação num gesto puramente intuitivo.

São três instalações enormes que nos levam a refletir no modo que vemos o mundo. Cada instalação foi criada com a preocupação de revelar algo novo e para trazer consciência sobre a atual situação do planeta que habitamos. Sua intenção não é so de procurar esclarecer a audiência, mas também desafiar nosso relacionamento psicológico e físico com o mundo natural. Maya menciona em seu catalogo para essa exibição: “Um forte respeito e amor pelo meio ambiente existe em todo meu trabalho. Eu não consigo me lembrar de quando eu não me preocupei com a condição do meio ambiente nem quando eu não me senti humilde diante da beleza do mundo natural…esses trabalhos são uma resposta a essa beleza”. Inspirador não? Lindo, lindo!

São três topografias revelando um mundo real e imaginário. Por exemplo, 2 x 4 Landscape (2 x 4 Paisagem) inicialmente foi concebida por Maya como uma maneira de trazer paisagismo num cenário arquitetônico. A instalação, consistindo de 50.000 pedaços de madeira de 2 x 4 (2×4 é uma medida típica da madeira usada em construção), e se assemelham a uma onda ou colina que sobe a 3 metros de altura ocupando um total de 170 metros quadrados.

Essas topografias são definitivamente um trabalho da arte que você tem que ver em pessoa para apreciá-los em sua plena majestade. Existem algumas coisas na vida que precisam ser vista pessoalmente – descrição e fotos não bastam. Na realidade acho que quase tudo na vida é assim. Chega um ponto que temos que sair do teórico e partir para a experiência.  

Sem duvida, que essa foi a melhor exposição que vi nesses últimos meses. É claro, que eu sou a maior fã da Maya – acho que ela é a melhor arquiteta no momento. Aliás, ela não pode ser chamada de arquiteta, pois não passou os exames de arquitetura estipulados pela lei americana. Mas de qualquer forma, ela é basicamente a única pessoa trabalhando nessa interseção entre arte e arquitetura que foi tristemente abandonada e ignorada por tantos séculos.

A única sugestão que faria a Maya é de que ela deveria ter usado madeira reciclada em suas instalações — só isso.

A exposição ficara aberta até dia 24 de outubro.

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2809/09

Preços exorbitantes mesmo nessa crise financeira

Michel Basquiat            Julian Schnabel   

 Ai Wei Wei 

A Mary Boone Gallery é uma das galerias mais conhecidas na cidade.  Sua dona e diretora, Mary Boone, abriu sua galeria em 1977 e desde então tem tido um sucesso inigualável. O que ela fala no mundo da arte é levado a sério e todo mundo ouve.

Ela está com uma exposição de vários artistas famosos, nada de muito impressionante com relação à qualidade do trabalho, mas não digo o mesmo com relação ao mercado de arte. Já que você está fazendo um tour pelo Chelsea, tem três trabalhos nessa galeria você deveria dar uma olhada só por curiosidade por causa dos preços.

O primeiro é uma tela de Michel Basquiat, o grafiteiro que foi um dos favoritos de Andy Warhol, e que morreu muito cedo aos 28 anos. O nome da obra é Pedestrian 1, 1984, em acrílico mede 1,5 por 1,3 metros em vermelho com uma figura em preto.  Acredite ou não, essa peça foi vendida pelo preço de nove milhões de dólares!! Tem muito zero aí — $ 9.000.000,00. Crise financeira? Onde?

O segundo trabalho é de Julian Schnabel, um artista americano meio metido a arquiteto. Ele decorou o interior do Gramercy Park Hotel aqui em Nova York. Sua tela chamada Born in 1951, San Sebastian, 1979, mede 2,8 por 1,6 metros em tons de rosa. Esse foi vendido por um preço um pouco mais modesto – 3 milhões.

O terceiro é uma jarra antiga de por volta de 500 – 3000 AC, onde o artista chinês Ai Wei Wei, (outro artista metido a arquiteto) pintou o conhecido símbolo da Coca-Cola no vaso. O titulo da obra é claro, só poderia ser Coca Cola vase, 1994. Esse então foi uma pechincha – somente 125 mil dólares.

Eu gostaria de entender mais quem determina esse mercado financeiro. Não é curioso? E extremamente confuso.

Os trabalhos estarão lá até dia 24 de outubro.

Mary Boone Gallery

Não se esqueça de admirar o espaço interior dessas galerias — são supreendemente lindas como essa foto acima do teto da Mary Boone.

Por Vera Angelico | 0 comentários
2409/09

Shanghai: ainda a Paris do Oriente?

Shanghai

Será que Shanghai ainda é a Paris do Oriente, ou a Nova York do século XXI?

Talvez – gostaria muito de ir até lá para ver, mas agora não dá. Super longe e super caro. Então, sugiro a alternativa: vá até o Battery Park e dê uma olhada no The Skyscraper Museum que está com uma exposição chamada China Prophecy: Shanghai.

O fama que Nova York sempre teve como a “cidade que nunca dorme,” foi dado a Shanghai agora. Uma cidade que está com 18 milhões de habitantes e é o maior centro do mundo.

Com muitas maquetes e lindas fotos você poderá ver essas torres altíssimas que estão subindo numa rapidez espantosa em Shanghai. A mais alta até agora, é a Shanghai Tower que terá 632 metros assim que estiver pronta. Só para você ter uma idéia, o Empire State Building tem 381 metros!

Nessa fanfarra toda de muita riqueza e beleza, um elemento essencial é decisivamente esquecido – a destruição sem escala que está acontecendo em Shanghai e no país em geral não é comentado. A tradição do país está sendo destruída em nome do progresso. Os bairros históricos estão sendo completamente aniquilados. O meio ambiente na China está muito compromissado pela devastação do ar, água e solo. Um amigo foi visitar algumas cidades chinesas no ano passado e me contou que sua visita foi horrível. “Mal se vê o sol,” ele me disse “pois a poluição é tão intensa e o ar é tão contaminado que andando nas ruas de Shanghai dava a sensação de estar atrás de um caminhão com o escapamento aberto.” Outro grande problema no país são as usinas de carvão aonde vem a maior parte da energia, pois o carvão é um grande poluidor.

Mas essa parte não aparece na exposição. Nada incomum, na realidade. Acho que é a tendência do nosso espírito atual de pós-modernismo – ficar na superfície e não ir fundo… Esquecemos que nem tudo que brilha é ouro.

Por Vera Angelico | 0 comentários
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